Ativista condenada após plantar sobreiros em Alcochete. Climáximo fala em “repressão”
- 24/06/2026 10:40
- Redação
O coletivo Climáximo criticou duramente a condenação de uma das suas apoiantes a uma pena de prisão suspensa de um ano e seis meses, na sequência de uma ação simbólica realizada em maio de 2025 nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, local apontado para a construção do futuro aeroporto de Lisboa.
Em comunicado, o movimento considera que levar uma civil a tribunal militar por ter participado numa ação de protesto pacífica constitui “um ato de repressão completamente desproporcional e violento”, sublinhando que a iniciativa não provocou danos nem registou qualquer incidente.
A ação consistiu na plantação de sobreiros e na colocação de uma faixa com a mensagem “Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!”, numa manifestação contra a expansão aeroportuária e o aumento das emissões de gases com efeito de estufa.
Segundo o Climáximo, algumas pessoas entraram no terreno, plantaram árvores, registaram a iniciativa em vídeo e abandonaram o local sem confrontos. Ainda assim, o Ministério Público acusou a ativista Bianca Castro do crime de entrada ou permanência ilegítima, tendo o processo sido tratado como um caso de natureza militar.
Na altura do protesto, a porta-voz da iniciativa justificou a ação com o impacto ambiental previsto para o projeto aeroportuário.
“A construção de um novo aeroporto é o equivalente a lançar bombas de carbono na atmosfera”, afirmou Bianca Castro, defendendo que o empreendimento representa um agravamento da crise climática.
Os ativistas argumentam que o projeto implica o abate de dezenas de milhares de sobreiros e explicam que a plantação das árvores teve um valor sobretudo simbólico. O gesto representava, segundo os participantes, “uma semente de resistência e perseverança, desafiando a morte e desolação que um novo aeroporto traria”.
O movimento contesta igualmente o enquadramento jurídico do caso. Embora o terreno seja atualmente considerado uma zona militar, o Climáximo recorda que o local está destinado a acolher uma infraestrutura de aviação civil e que se trata de uma área com elevado valor ambiental.
Para os ativistas, a condenação surge num contexto de agravamento da crise climática e de continuidade de políticas que consideram incompatíveis com os objetivos de redução das emissões.
“A Bianca foi condenada a uma pena de prisão suspensa de um ano e seis meses à entrada de um dos verões mais quentes de que há registo”, refere o coletivo, acrescentando que a crise climática continua a intensificar-se através de fenómenos extremos, como tempestades e ondas de calor.
O Climáximo garante que continuará a mobilizar-se contra projetos que considera prejudiciais para o ambiente e sustenta que os movimentos pela justiça climática, em Portugal e no resto do mundo, prosseguirão a contestação às políticas que, na sua perspetiva, contribuem para o agravamento das alterações climáticas.