Israel recusa retirar tropas do sul do Líbano e coloca pressão sobre acordo de paz no Médio Oriente

Israel recusa retirar tropas do sul do Líbano e coloca pressão sobre acordo de paz no Médio Oriente

  • 24/06/2026 10:15
  • Redação

O Governo israelita voltou esta quarta-feira a afastar qualquer possibilidade de retirada das suas tropas do sul do Líbano, uma posição que ameaça complicar os esforços diplomáticos destinados a consolidar o acordo preliminar alcançado entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim ao conflito que abalou o Médio Oriente nos últimos meses.

A declaração surge numa altura em que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, realiza uma ronda diplomática pelos países do Golfo para tentar convencer aliados regionais a apoiar o entendimento negociado por Washington e Teerão.

Em Telavive, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, foi categórico ao defender a permanência das forças israelitas em território libanês. Segundo o governante, Israel considera que a presença militar é essencial para garantir a segurança das comunidades do norte do país.

“Não estamos a recuar”, afirmou Katz durante uma conferência. O ministro acrescentou que Israel já deixou claro que “não se vai retirar” do sul do Líbano e sublinhou que, para já, “não existe qualquer exigência norte-americana para que Israel abandone o Líbano”, algo que classificou como uma importante vitória política para o Governo israelita.

As declarações surgem num momento em que Israel e o Líbano discutem, com mediação norte-americana, uma proposta que prevê a retirada parcial das tropas israelitas das áreas ocupadas durante a guerra e a sua substituição pelo exército libanês.

A presença militar israelita no sul do Líbano continua a ser um dos principais obstáculos para o Irão, que tem insistido na necessidade de um cessar-fogo duradouro naquele país como parte de qualquer acordo regional.

Falando em Baku, durante uma reunião da União Parlamentar dos Estados-Membros da Organização de Cooperação Islâmica, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, reforçou essa exigência.

Segundo Qalibaf, “um cessar-fogo no Líbano é tão importante como um cessar-fogo no Irão”, acrescentando que “o fim da guerra no Líbano é tão importante quanto o fim da guerra no Irão” para as autoridades iranianas.

Enquanto isso, Marco Rubio tenta reduzir o ceticismo de vários países árabes em relação ao acordo alcançado entre Washington e Teerão.

Alguns governos da região consideram que o entendimento oferece demasiadas concessões ao Irão, incluindo o possível desbloqueio de fundos avaliados em cerca de 300 mil milhões de dólares e o alívio de determinadas sanções económicas.

No âmbito da sua visita à região, Rubio reuniu-se com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e deverá deslocar-se também ao Kuwait e ao Bahrein, dois países que acolhem importantes bases militares norte-americanas e que foram atingidos por ataques iranianos durante o conflito.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Teerão aceitou inspeções nucleares sem limite temporal. Contudo, as autoridades iranianas contestaram essa versão.

Numa publicação na rede social X, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, garantiu que não existem planos para permitir o acesso imediato dos inspetores internacionais às instalações nucleares que foram alvo de ataques.

Segundo o responsável iraniano, essa possibilidade só será analisada no contexto de um acordo definitivo e depois de os Estados Unidos avançarem com medidas concretas para levantar todas as sanções impostas ao país.

Apesar disso, continuam as negociações sobre a futura gestão da passagem marítima entre o Irão, Omã e os restantes países do Golfo.

Donald Trump procurou tranquilizar os mercados ao revelar que recebeu garantias de Teerão de que não serão impostas novas taxas aos navios que atravessem o estreito.

Segundo o Presidente norte-americano, o Irão assegurou aos Estados Unidos que “não existem portagens, custos de seguro ou qualquer outro tipo de cobrança” para as embarcações que navegam naquela via estratégica.

Apesar dos avanços diplomáticos registados nos últimos dias, a questão do Líbano, o programa nuclear iraniano e o futuro do Estreito de Ormuz continuam a revelar as fragilidades de um acordo que ainda está longe de garantir uma paz duradoura no Médio Oriente.

  • Fonte: Rádio Renascença
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