Ébola: OMS inicia ensaio clínico com dois tratamentos na RD Congo

Ébola: OMS inicia ensaio clínico com dois tratamentos na RD Congo

  • 24/06/2026 12:00
  • Redação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta quarta-feira que deverá arrancar na próxima semana, na República Democrática do Congo (RD Congo), um ensaio clínico para testar dois tratamentos experimentais contra a variante Bundibugyo do vírus Ébola, numa altura em que o atual surto continua a alastrar no país e já atingiu também o Uganda.

O anúncio foi feito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que revelou estarem concluídos os preparativos para o estudo. “Os preparativos para um ensaio clínico com dois tratamentos estão concluídos e deverá começar na RDC na próxima semana”, afirmou durante uma conferência de imprensa.

Os tratamentos em avaliação são o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir. O ensaio deverá envolver cerca de mil participantes.

De acordo com Tedros, o objetivo é determinar se estas terapias “podem ajudar a reduzir a mortalidade em doentes com a doença provocada pelo vírus Bundibugyo, quando administradas isoladamente ou combinadas”.

A variante Bundibugyo continua a representar um desafio para as autoridades sanitárias, uma vez que ainda não existe uma vacina aprovada nem um tratamento especificamente desenvolvido para esta estirpe do vírus.

Apesar dos progressos alcançados no combate ao Ébola ao longo dos últimos anos, a OMS reconhece que as medidas de contenção não têm sido suficientes para travar o atual surto.

Segundo os dados mais recentes divulgados pela organização, a RD Congo contabiliza já 1.094 casos confirmados e 277 mortes relacionadas com a doença. No Uganda foram registados 20 casos confirmados e duas vítimas mortais.

Tedros alertou que a propagação da epidemia continua a preocupar as autoridades de saúde. “Apesar dos progressos alcançados, continuamos a enfrentar grandes desafios. Há agora 1.094 casos confirmados, com 277 mortes. A epidemia continua a avançar rapidamente”, afirmou.

Ainda assim, o responsável destacou alguns sinais positivos, nomeadamente o facto de mais de 100 pessoas terem recuperado da doença durante o atual surto e o reforço da capacidade hospitalar na RDCongo, com o aumento do número de camas especializadas para tratamento dos doentes.

O paciente foi colocado em isolamento e está a ser acompanhado pelas autoridades sanitárias francesas, que iniciaram o rastreio dos contactos próximos.

Perante este caso, Tedros procurou tranquilizar a população europeia. “O risco é baixo, seja em França ou noutros países da Europa. Não devem reagir de forma exagerada”, afirmou.

O diretor-geral da OMS recordou ainda que, nos últimos 50 anos, foram identificados menos de 30 casos de Ébola fora do continente africano, considerando que o risco de propagação global da doença permanece reduzido.

  • Fonte: Rádio Renascença
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