Imigração pressiona, mas "não é o culpado exclusivo" da falta de médicos de família

  • 25/06/2026 02:00
  • Redação

Pedro Correia Azevedo afirma que, apesar dos desafios do aumento de população inscrita, que segundo o Portal do SNS passou de 380 mil em janeiro para 382 mil em abril, na ULS Almada-Seixal a percentagem de pessoas abrangidas por equipas de saúde familiar tem oscilado "entre os 82% e os 84% de utentes" .

Mas, neste período, o número de pessoas sem médico de família atribuído também cresceu de 60 mil para 68 mil.

A ULS Almada-Seixal, tal como outras, continua a ter mais utentes inscritos nos centros de saúde, mas também mais utentes sem médico de família. A culpa é só da imigração como diz a ministra da Saúde? Não sei se a culpa é da imigração. Temos mais inscritos, portanto, vamos ter mais utentes sem médico de família, porque não consigo os médicos de família à velocidade da inscrição de utentes.

Mas gostava de ressalvar que oscilamos entre os 82% e os 84% de utentes com cobertura de equipa de família. Esta taxa é de médico de família, mas gosto de dizer equipa de família porque não podemos descurar o trabalho dos enfermeiros. Sobretudo a especialização que têm vindo a ter na sua atividade. Há um conjunto de atividades de promoção da saúde e de vigilância, até no contexto da doença crónica, que faz todo o sentido haver uma partilha com a equipa da enfermagem.

Mas a imigração justifica o efeito de crescimento de utentes sem equipa de família? A imigração é parte do facto de nós termos um aumento do número de inscritos e um aumento dos utentes sem médico, mas não é o culpado exclusivo.

Estamos muito satisfeitos, porque conseguimos atrair neste concurso dez novos médicos de família. Isto resulta de um trabalho feito ao longo de muitos anos, desta reforma dos cuidados de saúde primários, em que 22 centros são Unidades de Saúde Familiar (USF).

Isto demonstra um tipo de organização, não só em termos de equipa, mas da resposta à população. A retenção de talentos gera a atracção de talentos e a resposta melhora, e [o que temos] aqui é o exemplo disso. Obviamente estamos muito insatisfeitos com o facto de termos pessoas que não têm médico de família.

Nesses casos, qual é a resposta que organizaram para assegurar o seguimento de doentes crónicos, grávidas?Temos duas unidades de cuidados de saúde personalizados em cada um dos concelhos, permitindo dar essa resposta aos utentes sem médico de família. Em áreas particulares, como planeamento familiar ou gravidez temos a colaboração de médicos de família, de enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica.

Temos vindo a desenvolver "task forces" com a disponibilidade voluntária dos profissionais fora do seu horário de trabalho, que decorrem sobretudo ao sábado. Por exemplo, na Amora temos vindo a desenvolver projetos para as mulheres que manifestam vontade em começar algum método contraceptivo no contexto do planeamento familiar, terem consulta e o início desse método. E aproveitamos para fazer outras actividades como actualizar a vacinação, rastreios ao cancro.

Haverá um hospital do Seixal?O Hospital do Seixal está inscrito no Orçamento do Estado e existe lá há vários anos. Não me cabe a mim dizer alguma consideração sobre a sua construção ou não. Sabemos, não é segredo nenhum, que há estudos realizados.

Mas aliviaria a situação do Hospital Garcia de Orta ou não faria grande diferença?Para isso precisamos de fixar e recrutar mais recursos humanos primeiro. Se tivermos um hospital de proximidade sem recursos humanos fica difícil.

A ULS têm sido apontada como candidata a parceria pública ou privada (PPP). Vai acontecer?Sei que há cinco ULS que foram apontadas como podendo ter os seus contratos convertidos em PPP. Aguardamos informações mais pormenorizadas da tutela sobre esse ponto de vista.

  • Fonte: Rádio Renascença
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