Venezuela. "Já se ouve falar de milhares de mortos"

Venezuela. "Já se ouve falar de milhares de mortos"

  • 25/06/2026 06:35
  • Redação

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre revela que "os breves contactos conseguidos" para a Venezuela "apontam para uma situação muito grave", porque no terreno "já se ouve falar de milhares de mortos".

“Aguardamos por mais informações”, acrescenta Catarina Martins de Bettencourt, que acredita que vai necessário muito apoio internacional para ajudar "a ultrapassar este momento tão difícil".

A responsável acrescenta que a Fundação AIS conseguiu falar com o arcebispo de Caracas e que este admitiu ser "ainda muito difícil perceber a dimensão de tudo".

“Já conseguimos falar com alguns dos nossos parceiros de projetos, nomeadamente o arcebispo de Caracas, que já esteve a visitar as várias paróquias e já percebeu que, de facto, há várias com muitos danos estruturais", adianta, confirmando, igualmente, os "cortes de energia e de internet".

Em comunicado, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apela à oração pelo povo da Venezuela. Entre os edifícios afetados encontram-se igrejas, capelas, casas paroquiais e outras instituições eclesiais. Apesar dos graves danos estruturais, muitas destas instalações transformaram-se de imediato em refúgios para famílias que ficaram sem habitação.

De acordo com a AIS, o arcebispo de Caracas, D. Raúl Biord Castillo, já percorreu várias das paróquias atingidas e descreveu um cenário de grande destruição.

"Acabo de regressar de uma visita a várias paróquias. Muitas delas apresentam graves danos estruturais", contou em declarações à AIS.

Segundo o prelado, a Catedral de Caracas e cerca de uma dúzia de igrejas estão entre os edifícios mais afetados. Contudo, alertou que os cortes de eletricidade e de Internet continuam a impedir uma avaliação rigorosa da dimensão dos estragos. Entre os casos mais graves, destacou o colapso de vários edifícios religiosos.

"Em Nauralí, o telhado da nave direita ruiu. A igreja e a casa paroquial de Pagüita desabaram. O pároco foi milagrosamente salvo", destacou.

Também a Diocese de La Guaira sofreu danos significativos. O bispo D. Pablo Modesto González Pérez revelou que o seminário diocesano, apoiado regularmente pela Fundação AIS, sofreu graves danos e teve de ser evacuado.

"Estamos sem eletricidade e todos fomos afetados. No seminário, muitas paredes ruíram. Agora estamos no parque de estacionamento do estádio desportivo, à espera que os bombeiros avaliem o edifício para sabermos o que vamos fazer", contou.

O responsável diocesano explicou ainda que, apesar da gravidade da situação, não houve vítimas entre os sacerdotes. No entanto, a destruição estendeu-se a várias igrejas e edifícios residenciais.

"Graças a Deus não houve problemas graves com os sacerdotes, embora várias igrejas tenham sofrido danos significativos. Dois edifícios em frente ao seminário ruíram. Acabámos de regressar de uma visita a Ciudad Chávez, onde a AIS apoiou a construção da igreja; há uma população de cerca de 20 mil pessoas, e a maioria dos blocos de habitação sofreu danos graves. Graças a Deus que não ruíram."

Até ao momento, não foram registadas vítimas entre padres, diáconos, seminaristas ou religiosas. Ainda assim, D. Raúl Biord confirmou que houve mortos em diferentes localidades devido ao desabamento de edifícios e muros, sublinhando que o balanço poderia ter sido muito mais trágico.

"Graças a Deus era um dia de folga. Se tivesse sido um dia de semana, com escolas, escritórios e lojas abertas, o número de vítimas teria sido muito superior", disse.

Perante a emergência, a Igreja venezuelana ativou de imediato o seu plano de resposta.

"Muitas paróquias acolheram pessoas para passar a noite nas suas instalações", explicou o arcebispo, acrescentando que "já ativámos uma rede de solidariedade através da Cáritas paroquial". Segundo D. Raúl Biord, nas próximas horas serão realizadas inspeções para verificar quais os templos que podem reabrir ao culto, concluindo com um apelo: "Que Deus nos ajude e nos conceda o consolo necessário para acompanhar o nosso povo nestes tempos difíceis."

Enquanto prossegue o levantamento dos prejuízos, a Fundação AIS mantém contacto permanente com a Igreja local para identificar as necessidades mais urgentes.

O diretor de Projetos da AIS, Marco Mencaglia, citado em comunicado, garantiu que a organização continuará ao lado da Igreja venezuelana, lembrando que a Venezuela tem sido um país prioritário para a fundação há muitos anos.

"A prioridade agora é o povo. A Igreja está a fazer o que sempre fez em tempos de crise: abrir as suas portas, acompanhar aqueles que perderam tudo e levar esperança onde o medo se instalou", sublinhou.

O responsável deixou ainda um apelo aos benfeitores da organização para que mantenham a Venezuela nas suas orações e reconheceu que ainda é cedo para avaliar toda a dimensão da catástrofe.

"Ainda não conhecemos a verdadeira extensão dos danos. À medida que as comunicações forem sendo restabelecidas e as inspeções técnicas avançarem, poderemos compreender melhor as necessidades da Igreja e das comunidades que ela serve. Estamos empenhados em continuar a acompanhar a Igreja nestes tempos difíceis com a nossa ajuda e as nossas orações."

  • Fonte: Rádio Renascença
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