Duas óperas sobem ao palco do Coliseu do Porto numa só noite
- 25/06/2026 12:37
- Redação
É um espetáculo que junta uma tragédia e uma comédia. Este sábado, o Coliseu do Porto Ageas recebe duas óperas numa só noite. O Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa apresentam as óperas “Suor Angelica” e “Gianno Schicci” de Giacomo Puccini.
“Nesta ocasião vamos apresentar apenas duas. O que é interessante é que são tão poderosas e tão bem escritas que funcionam muito bem individualmente. Apresentamos uma tragédia, ‘Suor Angelica’, e uma comédia, ‘Gianni Schicchi’”, explica.
Na opinião do encenador haverá em palco “algo para todos os gostos”. “Vão chorar durante uma hora e depois rir na segunda parte do espetáculo”, aponta o encenador.
“Verão também que imaginamos a história de uma forma ligeiramente diferente, recorrendo a uma metáfora. Assim, todas as personagens, de uma forma ou de outra, são pássaros. Estou ansioso por ver todos no Porto para assistirem ao nosso espetáculo”, convida Carmine de Amicis.
Com a direção musical de Renato Balsadonna, as óperas contarão com solistas como Luís Rodrigues, Mário Redondo, Cátia Moreso ou Luís Gomes. Na opinião do encenador são interpretes de primeira água.
“Fico sempre muito entusiasmado por vir trabalhar a Portugal, porque sinto que há uma generosidade maravilhosa por parte dos artistas e dos cantores. Eles compreendem a teatralidade necessária para estas obras”, destaca o encenador.
“A ópera é uma peça de teatro, estamos a tentar contar uma história. E, por isso, a forma como trabalho com os artistas consiste em percorrer a música e, depois, o texto, para realmente dar destaque à história, para que seja compreensível também para quem não sabe italiano, porque está no corpo”, explica.
Para Carmine de Amicis, o facto de apresentarem o espetáculo no Coliseu acrescenta-lhe dimensão. “Quando nos disseram que íamos ao Porto e eu vi o teatro, pensei que seria ainda mais perfeito devido à circularidade daquele espaço. Dá-nos a sensação de estarmos todos envolvidos numa única arena”, diz.
“É particularmente importante, porque adoro aquele momento em que o palco e o público se tornam uma única entidade. As pessoas sentem que estão a partilhar um momento juntas. E adoro o Coliseu. Para mim, parece um teatro romano, e como sou italiano, é assim que gosto de apreciar o teatro.”
Também por ser italiano, o encenador enaltece a composição do seu conterrâneo, Giacomo Puccini. “A sua música é simplesmente incrível”, atira.
“Toda a sua carreira está repleta de obras-primas que ainda hoje interpretamos, porque são muito belas. Estas peças são interessantes, em primeiro lugar, porque ‘Gianni Schicchi’ é a sua única comédia. Não é fácil escrever comédia, e ele fá-lo de uma forma que nos mantém entretidos durante uma hora. E ‘Suor Angelica' é muito interessante pela forma como está escrita, na primeira meia hora, sentimos que fazemos parte daquele mosteiro, tal como a personagem”, destaca.
“Ambas as óperas têm algumas das melodias mais famosas, mas o que é interessante é que, quando se vai ao teatro para ver algo que já se conhece, descobre-se que há muito mais para além disso”, refere o encenador sobre o espetáculo que sobe sábado ao palco do Coliseu.