Mariana Vieira da Silva critica saída de presidente da UGT da direção do PSD

Mariana Vieira da Silva critica saída de presidente da UGT da direção do PSD

  • 25/06/2026 12:05
  • Redação

A decisão foi anunciada no Congresso do PSD, realizado logo após o chumbo da reforma laboral no Parlamento, que não contou anteriormente com o apoio da UGT.

A deputada socialista considera que partidos políticos "muito grandes, como o PS e o PSD, têm de saber viver e incluir nos seus órgãos dirigentes" quem discorde de algumas matérias, assumindo uma "capacidade alargada de diálogo".

"A pior coisa que um partido político desta dimensão pode fazer – e também serviria como autocrítica, como aliás já serviu, quando aconteceu – é dar o sinal de que toda e qualquer pessoa que discorde, mesmo na defesa dos interesses da instituição que unanimemente votou num determinado sentido nesta matéria, é penalizada por isso", defende Mariana Vieira da Silva.

A ex-ministra encara a proposta de um fundo soberano com mais dúvidas do que certezas, incluindo as áreas estratégicas anunciadas por Montenegro. Mariana Vieira da Silva diz que o foco de setores parece ser de "tudo e mais alguma coisa".

"[Sobre] banca, seguros e afins, eu nem sei o que hei de dizer, depois de tudo o que passámos nos últimos tempos de necessidade de intervenção nestas matérias. E cria a ideia de que, se calhar, há uma insegurança que os portugueses não conhecem e que acho que não existe", analisa no programa Casa Comum.

Mariana Vieira da Silva argumenta que vai ser emitida dívida "para um fim que não parece completamente claro" e que não responde às necessidades de financiamento para as áreas mais importantes para o país.

"Há outras necessidades estruturais da economia portuguesa, nomeadamente o investimento na ferrovia e afins, que neste momento não têm ou podem ficar sem fonte de financiamento e para a qual nós não estamos a construir alternativas", contrapõe a deputada socialista que recusa comparações entre os fundos propostos por Luís Montenegro e por Fernando Medina, quando este ocupou a pasta das Finanças.

A ex-ministra diz que o "Fundo Medina" tinha uma "definição mais clara" das fontes de financiamento e destinava-se a pagar investimentos públicos que ficaram sem fundos europeus.

A deputada do PS admite que o Estado pode ter que intervir, de forma excecional, em diversas empresas dando o exemplo das ações determinadas pelos governos de que fez parte no caso da TAP e da EFACEC."Outra coisa diferente, é dizer que o Estado vai passar a ter um instrumento de atuação, além da exceção e além do legal que uma nacionalização parcial pode significar", adverte a ex-ministra socialista.

Politicamente, Mariana Vieira da Silva destaca a "contradição muito visível entre o passado do PSD dos anos 80 e quando foi, além da Troika em muitas das privatizações que lá estavam previstas nomeadamente nos CTT".

"Não quero dizer que os partidos não possam mudar de posição, mas, quando o fazem numa matéria desta, convém que expliquem o princípio e a lógica dessa mudança", remata a ex-ministra socialista.

Mariana Vieira da Silva saúda a subconcessão da linha ferroviária de Cascais, se se dirigir a uma concessão gerida por municípios, em linha com as decisões tomadas por António Costa em relação à Carris e à Carros Metropolitana.

"O olhar para os transportes não pode estar desligado de um conjunto de competências que as câmaras efetivamente têm, de decidirem onde é que vão construir, onde é que vão crescer bairros, e reconheço-me nessa visão", afirma a ex-ministra que alega que a concessão a privados tem limitações na área dos transportes.

"Aconselhava vivamente a que se olhasse para o que se passa neste momento na Fertagus, numa lógica de entrega a empresas privadas, mesmo que no início possa ter criado uma ideia de melhoria. O investimento que foi feito neste momento é um dos pontos mais críticos dos transportes na área metropolitana."

  • Fonte: Rádio Renascença
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