Venezuela. O que são sismos gémeos e por que são tão destrutivos?
- 26/06/2026 04:24
- Redação
Foram dois os sismos de grande intensidade que no espaço de apenas 39 segundos deixaram um rasto de destruição na Venezuela. É um fenómeno raro que dá pelo nome de sismos gémeos.
É a classificação atribuída quando dois sismos muito fortes são sentidos com segundos de diferença. A denominação foi atribuída pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, mas é recente. Antes, os especialistas olhavam para este cenário como eventos separados, mas agora a classificação sismos gémeos é atribuída quando são registados dois ou mais terremotos nestas condições.
Sim. O fenómeno é assim descrito quando os dois sismos são sentidos na mesma região e num curto espaço de tempo como foi o caso da Venezuela.
Segundo os sismólogos não há uma explicação clara, mas por vezes, a libertação de energia ocorre num único ponto, e outras vezes em dois. Foi o que aconteceu. Ao jornal El Mundo, a sismóloga Gina Paola Villalobos Escobar, da Universidade Autónoma de Tamaulipas no México, compara o processo à deformação de um esparguete seco que vai acumulando tensão até partir subitamente, libertando a energia armazenada. O primeiro sismo pode ter desencadeado o segundo ao redistribuir essa tensão.
Sim, isso mesmo dizem os sismólogos. Ao contrário de um grande terremoto, que geralmente é acompanhado por abalos secundários de menor intensidade, o impacto é maior nos sismos gémeos até porque há uma sobreposição do impacto dos dois sismos nas infraestruturas.
É verdade. Há várias falhas tectónicas naquela região. Apesar de serem frequentes os sismos na Venezuela, é raro um sismo com tanta intensidade. De acordo com os registos, apenas alguns atingiram magnitude 6,0 ou superior no último século. A ocorrência de dois tremores fortes em rápida sucessão como esses é, portanto, considerada um fenómeno muito raro.