Papa aos cardeais: “Preciso do vosso apoio, forte, explícito e público”
- 26/06/2026 05:58
- Redação
No arranque do Consistório Extraordinário, o segundo do seu pontificado, Leão XIV pediu, esta sexta-feira, uma especial ajuda a todos os cardeais. “Conto convosco, para que me ajudem a discernir o que o Espírito diz hoje à Igreja. Preciso do vosso apoio, forte, explícito e público. Preciso de me sentir apoiado por vós, como irmãos. Por isso, peço-vos que me acompanhem, não somente nestes dias de trabalho, mas também no serviço diário à comunhão da Igreja Universal”, disse o Papa no discurso de abertura dos trabalhos.
“O ministério que o Senhor me confiou não pode ser vivido sozinho, precisa da vossa experiência, da vossa sabedoria pastoral, do vosso conhecimento das igrejas e dos povos que vos foram confiados”, afirmou Leão XIV. “Ajudem-me a escutar o que está a emergir nas Igrejas, a reconhecer os sinais de esperança que muitas vezes crescem em silêncio, mas também a não ignorar os cansaços, as incompreensões e as resistências que podem atrasar o caminho. Preciso da vossa liberdade, da vossa franqueza, da vossa lealdade. Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão”.
Distribuídos por mesas redondas, para quatro sessão de trabalhos de grupo, os cardeais ouviram também do Papa palavras de incentivo e proximidade: “Não estamos aqui para refletir sobre a vida interna da Igreja. Todos os temas que enfrentaremos – o olhar sobre o mundo, a paz, o bem comum, a sinodalidade – convergem numa única pergunta: Como podemos ajudar hoje as nossas igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade?”, sublinhou. “A missão não é um dos muitos desafios da Igreja. É a sua razão por existir. E é por isso que ela também se torna o critério que orienta o nosso discernimento.”
Referindo-se à agenda dos trabalhos que inclui duas sessões dedicadas à recente encíclica, o Santo Padre recordou: “Muitos de vós provêm de terras marcados pela guerra, pela violência, pela polarização social ou religiosa, mas nenhum de nós é estranho às muitas formas de conflito, de opressão, de fratura que atravessam hoje as nossas sociedades. Por isso, o discernimento que estamos chamados a cumprir diz respeito a todos e interpela a missão da Igreja em todo contexto. A encíclica Magnifica Humanitas oferece-nos algumas chaves preciosas para ler este tempo. Interessa-me, sobretudo, escutar como estas páginas ressoam nas vossas igrejas”, frisou.
As reflexões sobre os conceitos de guerra justa e legítima defesa, referentes aos pontos 182-192 do capítulo V da encíclica serão abordadas nas sessões desta tarde e de sábado de manhã.
Leão XIV reafirmou a importância destes consistórios, onde se aprende cada vez mais a "trabalhar juntos ao serviço da Igreja" e a procurar "um diálogo que me ajude a servir a missão de toda a Igreja". E acrescentou: “Continuo a acreditar que esta é uma das mais importantes responsabilidades confiadas ao Colégio Cardinalício. Também nós, como toda a Igreja, aprendemos caminhando. A comunhão nunca é um resultado alcançado de uma vez por todas: permanece uma conversão diária, que se concretiza na oração e através de atitudes concretas, de relações de confiança e disponibilidade para nos ouvirmos uns aos outros”.
A partir de agora, os trabalhos permanecem confidenciais e só no encerramento da última sessão, previsto para as 17h (hora de Lisboa) de sábado, é que haverá o discurso final de Leão XIV.