"A maioria de direita não existe e o Chega é o novo PCP da guerra de classes"

  • 26/06/2026 05:27
  • Redação

"Muitas pessoas achavam que havia uma maioria de direita. À esquerda e à direita havia quem acreditasse nisso. A Catarina Martins achava que eram todos uns fascistas e, do outro lado, Miguel Morgado ou Paulo Núncio pensavam que finalmente havia uma maioria para destruir o socialismo. Essa maioria não existe", afirma.

Para Henrique Raposo, essa realidade ficou evidente em dois momentos políticos decisivos. O primeiro foi a eleição de José António Seguro para Presidente da República, que considera um episódio marcante.

"Foi um momento-chave, e acho que vai ser importante na história política portuguesa, quando 80% da direita votou em José António Seguro. Figuras da direita assumiram uma posição difícil, mas necessária, ao apoiarem um candidato socialista."

O segundo exemplo foi a discussão do pacote laboral, que, na sua opinião, revelou a evolução do Chega.

"Percebemos, espero que de uma vez por todas, que o Chega é o novo PCP, no sentido em que representa hoje aquela retórica da guerra de classes que antigamente associávamos à extrema-esquerda e que agora encontramos nesta direita populista", assinala.

O comentador considera que Portugal está atualmente dividido em três blocos políticos: a esquerda, o centro-direita e a extrema-direita, alertando para o risco de desaparecimento dos partidos moderados.

"O problema para quem está no centro é desaparecer, ser assimilado pelos dois blocos", aponta.

O cronista admite mesmo que parte do eleitorado tradicional do centro-direita poderá migrar para o Partido Socialista, caso este apresente uma liderança mais moderada.

"Eu, como eleitor clássico do centro-direita, se o PS me apresentar alguém como Sérgio Sousa Pinto, nem penso duas vezes. É nesse PS que votarei", adianta.

Na sua perspetiva, o crescimento do Chega não implica necessariamente uma transferência direta de votos do PSD.

"O que pode existir é uma transferência de eleitorado do centro-direita para o centro-esquerda, se o PS tiver inteligência e sensatez para isso."

Sobre a atual liderança socialista, Raposo é particularmente crítico. "É fraquíssima. O líder do PS tem o carisma de um concurso de croché. Não puxa carroça", afirma, considerando que o partido não tem conseguido capitalizar os erros do Governo.

No balanço da governação, Henrique Raposo critica ainda a estratégia do executivo na política de imigração, acusando o ministro António Leitão Amaro de adotar um discurso próximo da extrema-direita.

"Aquilo que fica deste ano de Governo são as teorias da conspiração sobre a imigração. O ministro Leitão Amaro encostou-se à extrema-direita com a ideia de que existe uma teoria da substituição dos portugueses pelos imigrantes e com esta perseguição e estigmatização da pobreza", conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: