Cisma? Fraternidade São Pio X desafia Papa Leão XIV e pede regresso à Tradição da Igreja

Cisma? Fraternidade São Pio X desafia Papa Leão XIV e pede regresso à Tradição da Igreja

  • 26/06/2026 07:52
  • Redação

Na carta, a Fraternidade afirma que "a Igreja hoje sofre sob a pressão de novas forças, tanto internas quanto externas, que a empurram em todas as direções possíveis, exceto, nos parece, na direção certa", sustentando que não pode permanecer indiferente perante a situação atual.

Os responsáveis da FSSPX sublinham, contudo, que "não cabe à Sociedade de São Pio X mostrar o caminho a seguir, mas sim à Tradição da Igreja de dois mil anos, fielmente guardada e transmitida pela Sé Apostólica ao longo dos séculos".

Segundo o texto, a Tradição contém "todos os remédios para os males mais profundos dos quais a Igreja e o mundo sofrem", acrescentando que "a fé imutável e integral é o princípio, a base e a raiz da salvação das almas".

A Fraternidade considera que essa fé, transmitida pelo magistério constante da Igreja, "constitui o verdadeiro fundamento da unidade da Igreja e, consequentemente, o meio necessário para estabelecer união e comunhão entre os membros do Corpo Místico de Cristo".

No documento, os autores manifestam ainda o desejo de que "a Tradição e a pureza da fé voltem a ser colocadas na base da vida da Igreja, para que delas possa começar uma regeneração autêntica", assegurando que rezam por essa intenção.

A carta apresenta a profissão de fé como "a melhor contribuição que pode ser oferecida à Igreja universal" no atual contexto e manifesta a esperança de que o texto possa servir, no futuro, "de base para uma discussão franca com a Santa Sé, num ambiente pacífico, fraterno e caridoso".

Os responsáveis da Fraternidade rejeitam igualmente que a sua posição resulte de nostalgia, afirmando que "o texto que estamos a apresentar não é a reciclagem estéril de um grupo de pessoas nostálgicas, mas a expressão necessária, pacífica e resoluta da nossa fé".

A carta termina com uma mensagem dirigida ao Papa Leão XIV, na qual os signatários asseguram "orações constantes" pelo pontífice e pela Igreja universal. O documento está datado de 24 de junho de 2026, solenidade da Natividade de São João Batista, e foi assinado em Menzingen, na Suíça, sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Os sacerdotes escolhidos são: padre Pascal Schreiber, de nacionalidade suíça; padre Michael Goldade, cidadão norte-americano; padre Michel Poinsinet de Sivry, francês; e padre Marc Hanappier, também francês.

Segundo o comunicado, os processos relativos aos quatro sacerdotes foram apresentados ao Papa, acompanhados de “algumas explicações necessárias para a compreensão adequada desse processo, no contexto muito particular e excecional dessas consagrações episcopais”.

A Fraternidade São Pio X sublinha que estas consagrações “não decorrem de qualquer desejo de reivindicar poder de jurisdição, ou de estabelecer uma autoridade paralela na Igreja”.

O texto acrescenta ainda que a decisão “não constitui de forma alguma uma negação, recusa ou desafio ao poder supremo, pleno e imediato do Vigário de Cristo sobre a Igreja universal”.

A cerimónia prevista para 1 de julho terá, segundo a Fraternidade, o objetivo de assegurar “a administração dos sacramentos das Ordens Sagradas e da Confirmação, bem como a dos sacramentais reservados aos bispos, segundo o rito tradicional da Santa Igreja Romana e a fé de todos os tempos”.

No comunicado, a Fraternidade considera que o episcopado conferido aos quatro padres deve ser entendido “apenas como um serviço às almas e à Igreja, em meio a essa crise de fé sem precedentes”.

O Vaticano reiterou recentemente que as ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, caso avancem, serão realizadas sem autorização do Papa e à margem da comunhão da Igreja Católica.

Numa declaração divulgada pelo Vaticano, o responsável recordava a carta apostólica Ecclesia Dei, de João Paulo II, onde se sublinha que “a adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa a Deus” e implica a excomunhão prevista pelo direito canónico.

Segundo o documento, a decisão da Fraternidade São Pio X traduz uma quebra da comunhão eclesial, uma vez que as ordenações episcopais previstas não têm o necessário consentimento do sucessor de Pedro.

O cardeal Víctor Manuel Fernández referia ainda que o Papa Leão XIV continua a acompanhar a situação com preocupação e oração.

“O Santo Padre continua nas suas orações a pedir ao Espírito Santo que ilumine os responsáveis da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para que reconsiderem a gravíssima decisão que tomaram”, indicava a nota.

"Convidamo-los, e estamos até a ponderar lançar um novo apelo, para lhes dizer: não façam isso; procuremos viver em comunhão com a Igreja. Mas a decisão cabe-lhes. É importante que tenham consciência do significado dessa escolha, tanto para eles como para a Igreja", afirmou o pontífice aos jornalistas, à saída da Villa Barberini, em Castel Gandolfo, Itália.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X celebra exclusivamente a Missa Tridentina e mantém reservas em relação a várias orientações do Concílio Vaticano II, contestando, em particular, os ensinamentos sobre a liberdade religiosa, o ecumenismo e o diálogo da Igreja com as outras religiões.

Fundada por Marcel Lefebvre, a Fraternidade mantém há vários anos uma relação difícil com a Santa Sé, sobretudo devido à contestação de algumas reformas e orientações saídas do Concílio Vaticano II.

  • Fonte: Rádio Renascença
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