Jota Silva: "Já não sonho com o Sporting, sonho em fazer uma grande época, seja no clube que for"

Jota Silva: "Já não sonho com o Sporting, sonho em fazer uma grande época, seja no clube que for"

  • 26/06/2026 07:00
  • Redação

O avançado Jota Silva tem um sonho: estar na convocatória do próximo Campeonato do Mundo, em 2030.

A época 2025/26 foi difícil para o internacional português, que falhou a transferência do Nottingham Forest para o Sporting por poucos minutos no último dia do mercado de transferências.

Com a maioria dos mercados fechados, Jota foi cedido ao Besiktas, onde marcou cinco golos, mas esteve fora do radar da seleção.

Tem sido bom. Chegam depois de uma época desgastante, uma época complicada. Foi bom ter este tempo para poder fazer um "refresh", estar junto da família, aproveitar para desanuviar um bocado e agora já estou de volta à carga para me apresentar bem na pré-época.

Foi uma experiência diferente de todas as outras, um campeonato diferente, com pessoas diferentes, uma cultura diferente principalmente, mas foi bom para aprender, para perceber que às vezes vamos a tempo de aprender sempre qualquer coisa. Deu para evoluir e para me preparar melhor para tudo que vem agora a seguir.

Sim, acho que o choque foi maior. Quando fui do Vitória para o Nottingham Forest ia muito bem preparado para todas as diferenças que se podiam encontrar e as diferenças eram praticamente intensidade, com e sem bola, porque eu vinha de um clube muito organizado e tínhamos feito uma época muito boa.

Fui já com jogos oficiais em cima, ou seja, cheguei à Premier League muito focado e era aquilo que eu queria e então foi fácil, como se costuma dizer. Este passo do Nottingham para o Besiktas, depois de tudo o que se passou, da maneira que foi, da maneira como a transferência falhada para o Sporting aconteceu, foi um passo diferente.

É uma liga que parte muito rápido, que às vezes os treinos não são tão intensos como eu esperaria, como eu estava habituado e fez-me crescer. Fez-me saber que tenho de trabalhar por mim, também para estar sempre bem quando fosse chamado, mas acima de tudo acho que a diferença está em como se lê o jogo: não há um aspeto muito tático, a liga não é muito tática, muito homem a homem, pode ser um jogo confuso. Mas acho que é um campeonato competitivo na mesma, que nos obriga a outras coisas.

O Nottingham exigia muito mais, até pelo campeonato inserido, se bem que na estava num grande da Turquia, num clube cheio de títulos, com imensas participações na Liga dos Campeões. Não posso mentir, o Nottingham, pelo campeonato que está inserido, pela época que tive nesse ano, exigiu-me muito mais de mim do que o Besiktas do ano passado. Acho que o campeonato, por si só, exige muito mais de um jogador.

Nottingham Forest foi jogar à Turquia, falou com o novo treinador, o Vítor Pereira?

Sim, tive essa oportunidade quando eles vieram jogar contra o Fenerbahçe. Estive com os meus colegas e troquei algumas palavras com o mister. Dei-lhe os parabéns, senti no grupo que ele foi muito bem aceite, todos gostaram muito do trabalho dele.

Mas não falámos muito do meu futuro, também era uma altura complicada para eles, estavam a lutar pela permanência na Premier League e ainda na Liga Europa. Não era uma altura certa para podermos falar no futuro, porque eles estavam muito preocupados com o presente.

Sinto que sou sempre um jogador importante em qualquer clube e que ainda tenho muito para dar ao futebol, claramente. Gostava muito de ficar na Premier League também, gostava muito de continuar no Nottingham, de fazer uma grande época.

Claro que isso não depende só de mim. Eu faço tudo o que possa depender de mim. Estou de consciência tranquila sobre isso. Trabalho muito, faço mais do que toda a gente, mas depois há as escolhas dos treinadores e eles sabem melhor do que eu quem devem escolher para cumprir o papel em determinados jogos e alturas.

O que está previsto na minha cabeça e é o que eu tenho até agora, é claramente apresentar-me na pré-época e lutar pelo meu lugar.

Acho que sim, é sempre uma vantagem, mas não é por eu ser português que vou ter mais oportunidades. Quando cheguei ao Nottingham, o treinador era o Nuno Espírito Santo e isso ajudou-me imenso na adaptação, em tudo o que envolve chegar à Premier League.

Acho que a mensagem também passa melhor se tiver de falar com ele, acabo por compreender melhor as ideias. Temos o mesmo sangue de português, sabemos o que nos move, somos todos muito competitivos e acho que ele acabará por me compreender melhor do que fosse outro treinador.

Sim, claramente. Acho que jogar, mostrar o meu valor, fazer uma grande época, fazer bons números e estar nas decisões do meu clube permite-me estar muito mais próximo de regressar à seleção, que é onde quero estar. Quero estar nesse nível. Qualquer que seja o clube, vou lutar para fazer a melhor época e dar ao selecionador algumas boas dores de cabeça. É, sem dúvida, o patamar mais alto que um atleta pode chegar e eu quero fazer isso regularmente.

Foi fantástico, não tenho palavras para descrever, agradeci imensa oportunidade, acho que a agarrei bem, que o meu comportamento foi exemplar, tanto durante o estágio, quer durante os jogos.

Encontrei um grupo fantástico, para além de ser recheado de grandes talentos como todos sabem, é um grupo recheado de grandes homens, com uma grande personalidade. Todos me receberam bem e claro, estar ali no meio dos melhores ajuda-nos sempre a crescer e foi o que eu tirei ao máximo dessas duas semanas de estágio.

Se a transferência para o Sporting tivesse acontecido, acha que o teria aproximado da seleção?

Não sei se seria convocado, ou não, mas não posso mentir: foi uma altura difícil. Eu queria o Sporting, o Sporting queria-me a mim e depois são coisas do futebol e o negócio não se fez. Tudo bem na mesma, encontrei um grande clube.

É tudo um grande "se". Iria fazer o que fiz no Besiktas, que é trabalhar ao máximo para jogar o máximo possível. Se ia jogar mais aqui ou lá, não sei. Ia dar o mesmo em termos de trabalho, dedicação e em estar pronto para ajudar. Se iria estar no grupo no Mundial, ou não, isso não sei, até porque, como já disse inúmeras vezes, a nossa seleção é recheada de grandes jogadores, um plantel que toda a gente vê e sabe que é um plantel vencedor, por isso iria ser difícil entrar nesse grupo.

Sobre a transferência falhada para o Sporting, falou com Rui Borges sobre o que correu mal?

Sim. É como já disse, todos queríamos, mas por coisas do futebol, não aconteceu. Não há que arranjar culpados, o importante é saber que nos queríamos mutuamente. A partir daí, não tive contacto com mais ninguém e segui.

Não, depois do que se passou, quando fui para o Besiktas, foquei-me totalmente nisso e nunca mais tive contacto com o Sporting. Segui a minha carreira. Estava inserido num projeto em que tinha de me focar a 300% e o Sporting tinha o seu campeonato para fazer, o seu trajeto e eu não fiquei com esperanças de nada. Simplesmente foi um negócio que não correu bem, como muitos no futebol. Seguimos os dois o nosso caminho e agora é assim.

Não sonho. Eu sonho em fazer uma grande época, seja no clube que for. Estou preparado e quero fazer uma época que me leve à seleção. Isso sem dúvida, seja no clube que for.

Devemos ter todos os pés bem assentos na terra, não devemos criticar tanto quando as coisas correm mal, nem elogiar tanto quando as coisas correm bem. Aquele grupo já deu mais que uma resposta. É um grupo vencedor, não é por fazerem um jogo menos conseguido que as coisas não se vão conseguir. Como todos lá disseram, eles estão focados em fazer o melhor possível, para poderem contribuir para que Portugal tenha um bom desempenho neste Mundial.

Agora, quando as coisas não correm bem, eles fizeram o mais correto, uniram-se, blindaram o grupo e deram uma resposta ao nível da qualidade que esta seleção apresenta. Foi uma grande vitória, com um desempenho dez estrelas, com personalidade, qualidade e intensidade. Fizeram bem, não quiseram saber das críticas, por assim dizer.

Claro que é. Quem disser o contrário, desculpe o mau termo, mas não percebe muito. Porque o Cristiano, por tudo que já fez e que continua a fazer, pela dedicação que tem constantemente e diariamente de querer fazer mais, mais e mais, é claramente um ponto positivo e uma arma para que esta seleção consiga atingir os objetivos.

Mais uma vez mostrou que não se deixa abalar pelas críticas. Não só ele, mas todos os jogadores que foram alvos de críticas, o plantel foi todo alvo de críticas. Como eles já disseram, acho que tem de ser jogo a jogo. Não adianta pensar muito à frente. Jogo a jogo, fazer boas exibições, ganhar e depois vamos ver o que é que se segue.

Todos são e Portugal está nesse leque. Todas as seleções estão a fazer uma fase de grupos boa e a mostrar qualidade e intensidade e há equipas que se calhar não estão tão nesse leque, mas que podem vir a surpreender porque têm boa equipa e porque, hoje em dia, toda a gente estuda toda a gente, as coisas estão muito iguais, os jogos estão muito mais físicos, mais intensos e acho que temos levar todos os jogos muito, muito a sério para que possamos ter um bom desempenho.

Gostei muito de ver o jogo do Japão, têm uma boa equipa. A Holanda tem uma grande equipa, a Inglaterra está muito bem. Mas acho que num campeonato destes, num formato destes, acho que até há equipas que podem não jogar tão bem e passar na próxima fase. O importante agora é focarem-se e fazerem o melhor que têm em cada jogo para tentar ir o mais longe possível.

Acho que não devia ter tema no momento em que estamos. Ele tem contrato e está a fazer um grande trabalho. O que se vai passar quando o contrato dele acabar será o mister e a federação a resolver. Não fica bem comentarmos isso agora, porque acho que é uma falta de respeito com o trabalho do selecionador e da própria seleção.

Qualquer que seja o treinador, que seja um com com personalidade, como é o míster Roberto Martínez. Acho que seja qual for o treinador, desde que seja bom e que esteja empenhado a 300% a dar o melhor à seleção, acho que é a mesma coisa para o jogador.

Acho que vai ser um campeonato muito competitivo, mais ainda do que o anterior. Eu acredito muito nisso. Acredito que o Porto vai apresentar-se fortíssimo, o Benfica vai querer reverter as coisas, o Sporting vai querer voltar a ser campeão também. Espero que o Vitória faça um campeonato de excelência e que volte à luta pela Europa

Vi muitos ou quase todos os jogos do Vitória e mesmo a luta por esses lugares europeus hoje em dia está muito difícil, são muitas equipas boas, que se preparam bem e apresentam bom futebol. Por isso acho que vai ser um campeonato muito bonito de se ver e de acompanhar e que vai ser competitivo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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