Um ou dois aviões partem esta tarde para a Venezuela. Rangel admite segundo contingente mais tarde: “Número de incontactáveis é imenso”
- 26/06/2026 08:46
- Redação
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, garante que sairá esta sexta-feira para a Venezuela, pelo menos, um dos dois aviões portugueses com equipas de resgate e salvamento de pessoas, após os violentos sismos que atingiram diversas cidades daquele país da América Latina.
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma cerimónia que assinalou os 40 anos de adesão de Portugal à CEE, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, Rangel garantiu que um dos aviões “sairá com certeza ainda hoje, julgo que durante a tarde, é a nossa expectativa, o outro provavelmente poderá ter de sair só amanhã, justamente para gerirmos esse fluxo e especialmente a repartição do território”.
Rangel explicou ainda que no avião que sairá esta sexta-feira já incluirá “alguma ajuda humanitária”. Serão 23 toneladas de equipamento de salvamento e de ajuda humanitária que irão ser descarregadas em aeroportos militares venezuelanos, ainda sem localização exata. Há a possibilidade de um segundo avião sair ainda esta sexta-feira rumo à Venezuela. “Hoje à tarde sairá com certeza o primeiro voo, se não sair também o segundo”, admite Paulo Rangel.
O ministro dos Negócios estrangeiros admite que numa segunda fase da operação possa seguir um novo contingente. “É possível que vá outro contingente de outra natureza. Neste momento, a prioridade é mesmo a operação de salvamento, a operação de socorro, porque julgamos que ainda há espaço, sinceramente, para salvar muitas vidas”, explica Rangel.
O governo português tem vindo a atualizar os números de vítimas mortais nacionais, que incluem luso-descendentes. Há 9 mortos confirmados, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros. “Ontem eram quatro homens e duas mulheres, quatro luso-descendentes e dois nacionais, um homem e uma mulher nacionais e depois repartidos os outros quatro”, diz Rangel. Quanto aos restantes três são luso-descendentes “seguramente”, mas ainda é incerto se têm ou não nacionalidade portuguesa.
Para além das vítimas mortais, há vários desaparecidos confirmados, segundo o ministro, que distingue entre esses e as pessoas que estão incontactáveis.
“Nas desaparecidas são mesmo aquelas que nós sabemos que não conseguimos contactar, porque, por exemplo, sabemos que ficaram debaixo de escombros e, portanto, podem estar a ser resgatadas, podem ter sido resgatadas, mas nós ainda não temos essa informação, mas que estão desaparecidas são 56, esse número não se alterou”, confirma Rangel.
Quanto ao número de incontactáveis é “imenso”, assume o governante, “não porque as pessoas estejam numa situação de risco, mas porque não há mesmo comunicações” na Venezuela.
Nestas declarações aos jornalistas, Rangel quis, “apesar de tudo, dar um pouco de tranquilidade às pessoas que, aqui em Portugal, sejam portugueses, familiares, sejam venezuelanos, porque também há uma comunidade venezuelana relevante que, obviamente, está extremamente preocupada com os seus familiares na Venezuela”.