Austin MacPhee, o escocês que inventa as bolas paradas da seleção portuguesa no Mundial

Austin MacPhee, o escocês que inventa as bolas paradas da seleção portuguesa no Mundial

  • 26/06/2026 10:15
  • Redação

Num jogo de futebol, as bolas paradas podem parecer uma confusão aleatória, mas há quem as trate como uma ciência exata. Os cantos e livres são uma das armas secretas da seleção portuguesa neste Mundial e o mérito é de um escocês: o treinador-adjunto Austin MacPhee.

O trabalho de MacPhee consiste em planear este tipo de lances ao detalhe com jogadas diferentes, criativas e, acima de tudo, imprevisíveis e surpreendentes para os adversários para que terminem com a bola no fundo da baliza.

O triunfo frente ao Uzbequistão, na segunda jornada do Campeonato do Mundo, é uma amostra do trabalho do escocês: um dos golos surge num canto, cobrado para a zona do primeiro poste.

Minutos antes, Cristiano Ronaldo abdicou de cobrar um livre em zona frontal, simulou remate e Bruno Fernandes picou a bola por cima da barreira em busca do capitão da seleção. A execução surpreendeu a defesa uzbeque e o lance só não terminou com golo graças a uma defesa heróica do guarda-redes uzbeque.

Mas quem é Austin MacPhee? O escocês nunca foi treinador principal e foca-se nas bolas paradas desde cedo na carreira.

Durante vários anos, foi adjunto na seleção da Irlanda do Norte e do Hearts, onde começou a crescer a sua reputação como especialista nas bolas paradas. Teve passagens mais curtas pela seleção da Escócia e pelos dinamarqueses do Midtjylland.

MacPhee subiu de patamar quando chegou à Premier League para preparar estes lances no Aston Villa. É onde trabalha desde a época 2021/22.

Na época 2023/24, os "villains" foram a equipa com mais golos de bola parada nas cinco principais ligas da Europa. Esta época, só o Arsenal marcou mais.

A equipa orientada por Unai Emery venceu a Liga Europa e o primeiro golo da final frente ao Friburgo surgiu num canto orquestrado ao detalhe por MacPhee. Os adeptos entoaram o nome do escocês, um cenário raro para um adjunto.

Na eliminatória com a Dinamarca, Portugal marcou num canto, fruto de um autogolo, mas sofreu pouco depois, com o lateral Rasmus Kristensen a surgir sozinho ao segundo poste.

Montar a equipa para defender bolas paradas é também trabalho de MacPhee e nem sempre correu bem na caminhada até ao Mundial 2026: a seleção sofreu de canto frente à Hungria e República da Irlanda.

O impacto de MacPhee começou a ser mais notório já em 2026. Na pausa de abril, Portugal criou muito perigo frente aos Estados Unidos da América no jogo de preparação.

Renato Veiga quase marcou num canto em que surgiu solto de marcação ao segundo poste. O golo de João Félix é fruto do trabalho de laboratório de MacPhee: o canto foi cobrado diretamente para a entrada da área, onde o avançado surgiu sozinho para rematar para o canto da baliza.

Apesar da federação ter um profissional a dedicar-se exclusivamente às bolas paradas, nem tudo tem corrido bem. O golo sofrido frente à República Democrática do Congo, na estreia no Mundial, surgiu num pontapé de canto cobrado de forma curta pela seleção africana.

Quando a bola foi cruzada para a área, o avançado Yoane Wissa cabeceou totalmente sozinho para o fundo da rede. O avançado do Newcastle mede apenas 1m76, mas conseguiu fugir à marcação defensiva dos jogadores portugueses.

A partida frente ao Uzbequistão mostrou o potencial do trabalho de MacPhee e as bolas paradas podem ser um ponto forte da seleção nacional, que continua em busca do seu primeiro título de campeão mundial.

  • Fonte: Rádio Renascença
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