Como vai Portugal desmontar a Colômbia? O onze provável e o plano de Martínez para conquistar o 1.º lugar do grupo
- 26/06/2026 11:23
- Redação
Foi também o reconhecer da importância do duelo com um adversário com uma maturidade no jogo com bola, uma capacidade individual e técnica muito superiores às de RD Congo e Uzbequistão. Avaliar a Colômbia como uma candidata ao título mundial é exagerado, mas reconhecer as virtudes e saber adaptar-se a contextos de jogo distintos é algo que tem de ser feito pelos responsáveis lusos.
Não é expectável que Roberto Martínez faça mudanças no onze por comparação com o último encontro, a menos que eventuais condicionantes físicas o obriguem a uma gestão diferente. Ainda assim, não é totalmente descabido ponderar alguns cenários como a titularidade de Nélson Semedo para a lateral-direita de forma a proteger melhor o corredor em que irá aparecer Luis Díaz ou o robustecimento do meio-campo na segunda parte com jogadores como Samu Costa ou Rúben Neves.
Nuno Mendes não parece estar nos píncaros a nível físico, mas rubricou uma exibição interessante face ao Uzbequistão e cumpriu os 90 minutos, o que leva a crer que também deve começar este encontro. Diogo Costa será o guardião, há a tal dúvida à direita, mas por princípio assume-se que as garantias ofensivas de João Cancelo são para preservar, com a forte hipótese de se dar nova troca de lateral daquele lado durante o jogo – com Semedo a dividir protagonismo com o jogador do Barça. Rúben Dias é indiscutível e Renato Veiga deve manter-se no onze pela terceira partida consecutiva.
Ao meio, e apesar da potencial tentação de reforçar a vertente física face às características do adversário, Vitinha e João Neves devem preservar o lugar prioritário, com Bruno Fernandes mais adiante, a procurar ligação constante nas entrelinhas e a tentar estar mais envolvido na fase de criação, como se viu na terça-feira passada.
Pela direita, e até numa lógica de proteção defensiva frente a Luis Díaz, deve voltar a aparecer o extremo mais capaz de fechar a 5 na zona recuada, Pedro Neto, "seta" importante também nos momentos de transição que possam surgir, aproveitando adiantamentos de Mojica.
A partir da meia-esquerda e sempre a buscar a zona entrelinhas, João Félix será a escolha natural, ainda que uma utilização de Rafael Leão não seja de retirar da equação, atendendo ao espaço que pode aflorar do lado direito "cafetero". Cristiano Ronaldo é inamovível para Martínez e, como se necessitasse de tal coisa, ainda reforçou o estatuto com as duas excelentes execuções frente aos uzbeques.
Invicta, convicta e robusta, a seleção de Néstor Lorenzo chega a este derradeiro desafio da fase de grupos com a confiança reforçada. A base tática da Colômbia é o 4-3-3, com muita flexibilidade e fluidez, nos movimentos com e sem bola. É uma equipa de carácter associativo, que tem variantes diversas para iniciar a construção, ora com laterais mais baixos, ora com Lerma mais próximo dos centrais (há boa saída destes, sobretudo através de Davinson Sánchez) e com muita liberdade de movimentos para James Rodríguez.
O já veterano craque, que passou pelo FC Porto, não cria tanto impacto em zonas de decisão, mas continua a querer pautar o jogo ofensivo dos sul-americanos, flutuando entre a meia-direita para ligar e procurar variações do centro do jogo e chegando a participar no circuito de passes sobre a meia-esquerda, junto a Mojica, Luis Díaz e com alguma proximidade a Jhon Arias, que depois rompe com grande precisão para terrenos mais avançados.
De resto, os movimentos de rutura dos interiores são chave, com o jovem Gustavo Puerta, revelação deste Mundial, a fazer o mesmo a partir da meia-direita, além de também baixar para ver o jogo de frente. Com muita rotação no momento com bola, a Colômbia sabe desgastar os adversários (também com a participação em apoio do sportinguista Luis Suárez, mais apagado fisicamente nesta fase da época, ainda assim) e sabe fazer movimentar para zonas de finalização Luis Díaz (jogador total, cria desequilíbrios na meia-esquerda, em combinação, avança para o um-contra-um e surge na carreira de tiro), Arias e o lateral-direito Daniel Muñoz, muito profundo, exímio em desmarcações para a área no espaço entre central e lateral e com boa definição técnica no remate.
Outros pontos fortes da formação da América do Sul são a constante exploração do remate de meia-distância e a profundidade de banco (com soluções como Quintero, Cucho Hernández, Jhon Córdoba, Richard Ríos ou Jorge Carrascal, entre outros).
E que pontos fracos pode Portugal explorar nesta equipa colombiana? O espaço nas costas dos médios, que se pode abrir nalguns momentos (Uzbequistão explorou bem isso quando marcou à Colômbia, com Shomurodov em evidência), sendo para isso importante colocar gente no tal espaço entre a linha defensiva e intermediária, a falta de contundência de James na pressão, que obriga a desdobramentos de Puerta e os avanços de Muñoz pela direita, que podem ser devidamente explorados por incursões do lateral ou extremo (daí a menção a Rafael Leão, quem sabe para fazer esses avanços a partir da segunda parte).
Será importante também que Portugal saiba ter a bola, até para estar mais protegido defensivamente e mesmo que seja tentador entregar alguma iniciativa aos colombianos para ativar saídas rápidas, a equipa das quinas não sente particular conforto no momento da organização defensiva, até pelas referências habitualmente utilizadas na marcação.
A transição defensiva tem sido o pecado maior da turma de Martínez neste Mundial e como tal podia ser importante reforçar a primeira linha de pressão. Seria o jogo ideal para lançar Gonçalo Ramos, o avançado "que melhor defende", mas a escassez de minutos até aqui (o próprio treinador parece não confiar no jogador do PSG) e a "obrigatoriedade" de utilização de Cristiano não facilitam o encarar dessa opção como sendo viável.