Pedro Frazão ameaça sobre OE: "Se a atitude do PSD se mantiver, mantemos o voto contra"
- 26/06/2026 14:37
- Redação
Depois de dois votos contra do Chega em matérias importantes: na reforma laboral (que fez cair o pacote) e na Prestação Social Única (aprovada graças à abstenção do PS), o vice-presidente do Chega, Pedro Frazão, avisa que o partido pode voltar a votar contra o Orçamento do Estado (OE) para 2027, caso o PSD não altere a sua postura.
"Alguma vez o Chega aprovou um OE? Não. Não estamos a colocar-nos de fora de uma coisa que nunca estivemos dentro", ameaça Pedro Frazão.
O "vice" do Chega faz o voto depender da capacidade do Governo liderado pela AD em “mudar de atitude” e acolher algumas das propostas do partido para o OE.
"Obviamente que, se a atitude da bancada que suporta o Governo se mantiver, nós também vamos manter o nosso sentido de voto", afirma Pedro Frazão, que considera que o Chega tem sido o "campeão" do OE por ser um dos partidos que apresenta maior número de propostas.
O vice-presidente do Chega não quis responder diretamente se acredita que a atual legislatura vai aguentar-se até 2029 e desafia o primeiro-ministro deve desviar a sua estratégia política para a direita, isto se quiser garantir condições para avançar com reformas estruturais no país.
"Espero que haja estabilidade no país e espero que Luís Montenegro perceba que tem que virar à direita para que o país se endireite, isso foi o sentido que os portugueses deram nas últimas eleições", aconselha o deputado do Chega.
O dirigente do Chega aponta ainda o recente chumbo da criação da Prestação Social Única (PSU) como exemplo de divergência política, tal como aconteceu com a reforma laboral à 25.ª hora.
"O que aconteceu foi muito simples, o Chega tinha as suas linhas vermelhas. Luís Montenegro e Hugo Soares, até ao último minuto, não concederam", descreve Pedro Frazão, que revela ainda que nas negociações para a reforma laboral André Ventura avisou por telefone o primeiro-ministro que o Chega iria votar contra, numa reunião em que Frazão estava presente no Parlamento.
O deputado garante que estas decisões não traduzem uma incoerência do partido, mas antes uma resposta à intransigência da AD nos momentos de negociação política.
"O Chega nunca será nem uma bengala nem uma muleta do Governo, nem hoje, nem amanhã. O Chega está preparado para governar", assegura. Pedro Frazão recusa que o partido se possa tornar "irrelevante" por votar constantemente contra em assuntos importantes.