Professor português na Venezuela: "Tenho 40 alunos e só sei de dois que estão vivos"

Professor português na Venezuela: "Tenho 40 alunos e só sei de dois que estão vivos"

  • 26/06/2026 15:50
  • Redação

“Na zona de La Guaira [uma das mais afetadas pelos terramotos], não há ligação para nenhuma rede telefónica. Sou professor, tenho 40 alunos de La Guaira e só tenho conhecimento de dois que estão vivos. Os outros não sei”, lamenta. “É tudo muito difícil.”

O português, que emigrou para a Venezuela pouco depois do 25 de Abril, sublinha que o país não estava de todo preparado para esta catástrofe natural e conta que os hospitais não conseguem dar resposta às necessidades.

“As pessoas estão na parte de fora, em tendas, a ser tratadas. Não há camas. Não há medicamentos”, conta. “O Estado venezuelano nunca pôde tratar da saúde das pessoas e agora menos com esta situação”, lamenta.

Nas últimas horas, David Pinho têm-se deparado com uma região em escombros. Entre os edifícios destruídos pelos sismos e pelas centenas de réplicas que se seguiram, há também muitas lojas e padarias pertencentes a portugueses e lusodescendentes, diz.

“O grande problema é que ontem [quinta-feira] muitas começaram a ser vandalizadas e roubadas. A zona de La Guaira está a ser, neste momento, militarizada”, relata, contando que, no momento dos abalos, estava no aeroporto. “Tive sorte. Consegui fugir.”

Na Venezuela há mais de 50 anos, David Pinho dá aulas de Português no bairro de San Bernardino, na capital venezuelana. A escola onde leciona ficou intacta, mas à volta impera um rasto de destruição. “Aqui, 40% dos prédios ficaram com fendas e com outros problemas estruturais que impedem que sejam habitados no futuro. As pessoas estão a dormir na rua, em tendas”, conta. E constata: “Toda a ajuda é bem-vinda.”

  • Fonte: Rádio Renascença
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