James Rodríguez ainda é o 10 da Colômbia
- 27/06/2026 03:25
- Redação
Há jogadores que passam pelo Mundial. E depois há outros, como James Rodríguez, que parece que voltam sempre.
Já não chega como a estrela que encantou o Brasil em 2014. Não é o reforço milionário do Real Madrid, nem o talento que parecia destinado a dominar o futebol europeu durante uma década.
Aos 34 anos, chega depois de meses de incerteza, sem clube durante parte do ano, a treinar longe dos holofotes com um preparador físico, enquanto esperava que aparecesse um novo desafio. "Se me pedissem para jogar amanhã, estava pronto", disse, numa altura em que muitos duvidavam se ainda tinha lugar ao mais alto nível.
Porque há muito que a Colômbia percebeu uma coisa que o futebol europeu parece ter esquecido: ninguém interpreta o número 10 daquela seleção como ele.
Foi assim em 2014, quando marcou seis golos e assinou, frente ao Uruguai, um dos remates mais icónicos da história dos Mundiais. Foi assim na Copa América de 2024, quando terminou como melhor assistente da prova. E continua a ser assim agora. Os treinadores mudam, os companheiros também, mas o jogo continua a passar pelo pé esquerdo de James.
"Pela seleção jogo até coxo", confessou há alguns anos. Não era uma figura de estilo. Era a forma mais simples de explicar aquilo que a Colômbia representa para ele.
Foi ali que um adolescente de 19 anos deixou de ser apenas uma promessa colombiana para se tornar num futebolista europeu. André Villas-Boas deu-lhe liberdade, o Dragão deu-lhe palco e a cidade acabou por lhe dar muito mais do que isso.
Com a bola nos pés encantou. Três Campeonatos, três Supertaças, uma Taça de Portugal e uma Liga Europa simbolizaram a alegria que era ver James jogar e a alegria que o colombiano sentia em viver de dragão ao peito.
James nunca escondeu que o Porto foi a casa onde cresceu. Chegou mesmo a associar-se a um projeto de restauração na cidade, o Âncora Violeta, juntamente com Lucho González.
“O FC Porto é um clube que encontra sempre bons jogadores. Ganhei bastantes títulos. É um grande clube e foram três anos únicos para mim", disse numa entrevista ao "The Players’ Tribune".
Em 2021, quando o FC Porto o felicitou nas redes sociais pelo aniversário, respondeu apenas: "Vemo-nos em breve". Bastaram três palavras para incendiar o imaginário dos adeptos. Nos bastidores, nunca foi segredo que regressar ao Dragão é um desejo antigo do colombiano, embora os salários e o rumo da carreira tenham tornado essa possibilidade quase impossível.
Apesar de o regresso nunca se ter consumado, ainda hoje no Dragão são visíveis várias camisolas com o nome do astro colombiano.
Porque, se James não esquece, a Invicta sempre irá recordar o menino que se tornou estrela no clube azul e branco.
Agora vai guiar a Colômbia contra Portugal, com a ambição de voltar a vencer um grupo, como fez no Mundial do Brasil e, quem sabe, voltar a liderar uma campanha que perdure na memória dos adeptos do futebol.