"Nenhuma das partes acredita verdadeiramente". Cessar-fogo entre EUA e Irão era demasiado frágil

"Nenhuma das partes acredita verdadeiramente". Cessar-fogo entre EUA e Irão era demasiado frágil

  • 27/06/2026 06:43
  • Redação

"Nenhuma das partes acredita na boa vontade da outra, nem tem fé de que a contraparte esteja verdadeiramente interessada num acordo de paz e num cessar-fogo", afirma.

Na leitura do comentador, o entendimento alcançado entre Washington e Teerão foi apresentado demasiado cedo como uma vitória diplomática da administração norte-americana.

"Depois de assinado o memorando de entendimento, feito o anúncio público ao mundo e vendido como uma grande vitória política para Donald Trump, parece-me que foi extemporâneo, porque a verdade é que não se pode confiar. Não se pode fazer negócios com um Estado terrorista que se comporta sempre de forma anacrónica", sustenta.

Manuel Poêjo Torres defende que o regime iraniano nunca teve como prioridade alcançar um entendimento duradouro com os Estados Unidos.

"Não é do interesse do Irão fazer um acordo com os Estados Unidos da América", afirma, argumentando que Teerão pretende preservar a sua capacidade militar, manter influência regional e continuar a utilizar o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão estratégica.

Por isso, considera que a resposta norte-americana ao ataque contra o navio comercial era inevitável.

"Os Estados Unidos, para garantir a liberdade de navegação, tinham obrigatoriamente de dar uma resposta e essa resposta não podia ficar apenas pelas palavras", afirma, concluindo que "o ataque americano à base de drones faz todo o sentido".

Sobre as consequências, o especialista admite que um episódio isolado dificilmente provocará uma reação imediata dos mercados.

"Um caso isolado não vai ter impacto direto sobre o mercado, mas a continuar o escalar destas hostilidades garantidamente que o vai ter", avisa.

Segundo Manuel Poêjo Torres, o principal risco passa por uma eventual retração de armadores e seguradoras, que poderão evitar navegar no Estreito de Ormuz caso a insegurança persista, com consequências para o comércio marítimo e para os mercados da energia.

  • Fonte: Rádio Renascença
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