Novo provincial dos jesuítas toma posse: “É fundamental criar espaços de abertura ao outro e ao diálogo”

Novo provincial dos jesuítas toma posse: “É fundamental criar espaços de abertura ao outro e ao diálogo”

  • 27/06/2026 16:40
  • Redação

O padre António Valério toma posse este domingo, dia 28, como Provincial dos Jesuítas em Portugal, numa missa na Igreja do Colégio São João de Brito, em Lisboa. O sacerdote de 49 anos foi nomeado, em fevereiro, pelo Padre Geral, Arturo Sosa, sucedendo assim ao padre Miguel Almeida. Entre as responsabilidades que, agora, assume está o acompanhamento dos jesuítas, das suas obras e comunidades em Portugal.

“Acolho esta tarefa com gratidão, entusiasmo e muito confiado. Se Deus dá a missão, também dará a força e a capacidade de a levar para a frente”, diz, assumindo também que se trata de “uma grande responsabilidade”. “Há uma tradição grande – a Província Portuguesa foi a primeira fundada na Companhia de Jesus”, lembra.

O novo Provincial dos Jesuítas, que era até agora Diretor-Geral do Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso, considera que a “abertura positiva ao mundo e à realidade do outro é o grande desafio da Igreja hoje” e destaca duas dimensões a que a Igreja “terá de responder de forma criativa e atualizada para todos, numa linguagem que seja entendida por crentes e não crentes”.

Segundo o padre António Valério, até há algumas décadas era a humanidade que provocava as mudanças. “Agora temos a sensação de que são as mudanças que nos estão a preceder e que vão à nossa frente. Não podemos estar numa lógica de ir respondendo às situações à medida que elas aparecem, como se fossem respostas de recurso”, diz, defendendo a necessidade de pensar a realidade. “[Trata-se de] antecipar aquilo que queremos e qual o caminho a seguir, de acordo com a visão específica que temos da pessoa, dos seus desejos e horizontes”, refere.

O jesuíta, que foi Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa, lembra, ainda, que os tempos são “de grande complexidade”. “Não só pela quantidade de informação a que as pessoas estão sujeitas – informação mais verdadeira, informação mais condicionada –, mas também porque as pessoas estão muito sujeitas ao individualismo, a pensar mais em si ou a viver experiências de grupo muito focadas em si mesmo, e às vezes até com posições muito extremadas. Por isso, é fundamental criar espaços de abertura ao outro e ao diálogo e é preciso estar constantemente a promover [isso]”, afirma, constatando que os Jesuítas sempre assumiram um “lugar de fronteira” na Igreja.

“Num tempo, foram as fronteiras geográficas das missões. Agora, estamos a falar de fronteiras existenciais no espaço da cultura, da educação, da comunicação, para não falar do espaço de intervenção social e da luta contra a injustiça”, explica.

Nascido em 1977, em Idanha-a-Nova, o padre António Valério entrou na Companhia de Jesus, em Coimbra, em 1997 e foi ordenado padre em 2009. Estudou Teologia em Espanha e em Itália, e fez a sua última etapa de formação na Bolívia.

  • Fonte: Rádio Renascença
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