Consistório encerra com um apelo à paz e proximidade com os venezuelanos
- 27/06/2026 16:32
- Redação
Leão XIV encerrou neste sábado o Consistório Extraordinário de dois dias, que reuniu no Vaticano 178 cardeais, com um apelo à paz no mundo e máxima solidariedade com o povo venezuelano.
“Desejo expressar a nossa proximidade, minha e de todo o Colégio Cardinalício, à população da Venezuela, gravemente afetada pelo recente e violento terramoto. Asseguramos as nossas orações pelas vítimas, pelas suas famílias e por todos os que sofrem as consequências desta tragédia”, disse o Papa na sessão de encerramento desta tarde. “Confiamos também ao Senhor todos os que estão empenhados nos esforços de socorro. E pedimos que a comunidade internacional continue a demonstrar solidariedade para com esta nação tão amada”.
No seu discurso final, Leão XIV também declarou, em nome de todos, que “Deus deseja a paz para todas as nações e todos os povos, por isso, não nos devemos resignar à violência. A violência não terá a última palavra. Deus continua a abrir caminhos de reconciliação e paz ao longo da história. Temos a responsabilidade de os percorrer corajosamente e ajudar o mundo a reconhecê-los”.
O Santo Padre acrescentou que a guerra não é só um conflito entre Estados: “Nasce muito antes, de uma cultura de poder que atravessa a nossa forma de pensar, de viver as relações, de exercer o poder, de utilizar a economia, a tecnologia e até a religião. Se esta é a raiz da crise, a resposta exige a reconstrução de uma cultura de cooperação e de diálogo, capaz de dar uma nova força também ao multilateralismo, para que os povos voltem a aprender e a procurar em conjunto o bem comum da humanidade inteira”. E considerou que, neste caminho, “o contributo dos fiéis leigos empenhados na vida pública é essencial”.
Um dos temas de reflexão dos cardeais com o Papa foi a questão da guerra justa, em que diversos grupos sublinharam a necessidade de continuar a explorar o tema da legítima defesa à luz das profundas transformações ocorridas na natureza dos conflitos contemporâneos. “Esta reflexão merece um maior desenvolvimento com o necessário rigor teológico e pastoral”, disse o Pontífice.
Sobre a prática da sinodalidade, Leão XIV frisou que não se trata de um conjunto de reuniões, nem de um método de trabalho, mas de um estilo espiritual: “Nasce do encontro, cresce na escuta e amadurece no discernimento. A verdadeira questão não é quantas conversas conseguiremos organizar, mas qual será a qualidade evangélica dos nossos encontros. Quando nos escutamos uns aos outros com humildade e liberdade, dando espaço ao Espírito, as nossas conversas não se limitam a uma troca de ideias, mas tornam-se um lugar de conversão, no qual crescemos juntos na fidelidade ao Senhor”, sublinhou.
O encontro do Colégio Cardinalício com o Sucessor de Pedro foi uma experiência “de escuta mútua e do discernimento comum, para que o Espírito Santo possa ajudar o Papa a guiar a Igreja”, revelou Prevost. “Não é um parlamento, nem um congresso onde prevalecem opiniões ou interesses, mas uma experiência de comunhão ao serviço da missão. O que aprendemos a viver nestes dias não diz apenas respeito ao Colégio Cardinalício, é um modo de vida que somos chamados a promover em toda a Igreja, para que cada batizado, segundo a sua vocação e responsabilidade, participe na construção da civilização do amor e ao serviço ao bem comum”. Uma experiência que terá continuidade no próximo ano, ainda sem data marcada. Leão XIV lembrou, no entanto, a importância do encontro previsto para Outubro sobre a importância da família e os seus desafios actuais, com a presença de bispos e famílias de todo o mundo.
Ao longo destes dois dias de Consistório, a Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou apenas resumos dos temas apresentados, sem aprofundar nem revelar nomes dos intervenientes. Sabemos apenas que as discussões incluíram guerras, polarização, notícias falsas, a crise da democracia, migração, violência contra minorias religiosas e étnicas, antissemitismo, drogas, crime, crises familiares, solidão, jovens, IA e outros. A confidencialidade do Consistório não deixou transparecer eventuais controvérsias.