Espetáculo do Festival Babell “soube a pouco” e “foi curto”

Espetáculo do Festival Babell “soube a pouco” e “foi curto”

  • 27/06/2026 20:48
  • Redação

Era um dos pontos altos da programação do Festival Babell e por isso atraiu milhares de pessoas às duas margens do Rio Douro, na noite deste sábado. “One Page” criado pelo artista chinês Cai Guo-Qiang, o mesmo que fez o espetáculo de abertura dos jogos olímpicos de Pequim, o momento prometia juntar 600 drones e fogo de artificio.

No rio, para cima e para baixo, andavam as lanchas da Polícia Marítima e do Salvamento Marítimo. Junto ao posto de comando, além destas autoridades, estava o comissário do Festival Babell para o qual o espetáculo foi criado. Rui Couceiro pegou no microfone para explicar que o público iria ver “um espetáculo criado a partir da história e da identidade tripeira, concebido para o vale do Douro”.

Também Cai Guo-Qiang empoleirou-se num palco improvisado para explicar o que o público ia ver. O artista chinês que começou por dizer que nos últimos dias “viveu intensamente o espírito do São João”, até lançou balões e levou com “algumas marteladas na cabeça”, disse o espetáculo era “inspirado pela história e poesia do Porto”.

Os 600 drones demoraram a chegar aos céus do Douro. O espetáculo começou atrasado. O arranque deu-se com uma contagem decrescente. A mesma voz que o fez, foi ao longo do espetáculo narrando o que o público estava a ver. Primeiro surgiu no ar “a imagem de uma pipa”, depois “uma gaivota” e logo de seguida uma “página em branco”.

Dos 600 drones saía, a cada rebentamento, fumo colorido. Foram rápidos 6 minutos e pouco mais de 20 segundos, a que se seguiu um rapidíssimo fogo de artifício. No final, o público que aplaudiu ficou com algum dissabor.

“Foi um prodígio da tecnologia de sincronização dos drones”, explicava outro espetador. Também houve quem dissesse que era “um espetáculo de arte, uma interpretação do artista relativamente ao que se vai passando no mundo”.

Contudo, as explicações que foram sendo dadas ao público que estava junto à zona de onde Cai Guo-Quiang comandava as operações não chegaram à maioria dos espetadores espalhados ao longo do rio.

“Nós daqui não conseguimos ouvir a explicação, então não percebemos a questão do papagaio”, diz uma espetadora quando na verdade se referia à primeira imagem de uma pipa que remetia para o vinho do Porto. Houve mesmo quem não tivesse sequer percebido que havia uma narração a acompanhar o espetáculo.

Mesmo quando a explicação para uma imagem, como referiu a narradora era a página branca tornar-se “azul com as cores do Porto”, a maioria do público viu outra cor. “Parecia-me mais roxo”, sublinhava um dos espetadores.

Muitos foram os que saíram desiludidos, porque estavam na expetativa de ver algo mais demorado. “Ainda por cima tivemos o fogo do São João aqui há poucos dias. Ainda temos muito presente na cabeça um espetáculo que foi muito grande”, dizia uma das pessoas.

A assistir estiveram alguns dos escritores convidados do Babel. Dentro de um barco atracado junto à Ribeira estiveram presentes Salman Rushdie, Héctor Abad Faciolince, Rafael Gallo, Valter Hugo Mãe, Dulce Maria Cardoso ou Conceição Evaristo.

O Babell continua este domingo com, entre outras, uma sessão com o escritor britânico Julian Barnes que venceu recentemente o Prémio Príncipe das Astúrias.

  • Fonte: Rádio Renascença
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