Argélia e Áustria vingam-se da "Vergonha de Gijón" em empate louco
- 28/06/2026 00:30
- Redação
El Molinón, em Gijón. O dia é 25 de junho de 1982 e defrontam-se a República Federal da Alemanha e a Áustria, naquele que viria a ser conhecido como o "pior jogo da história dos Mundiais".
As duas seleções entram no jogo sabendo que uma vitória por um golo dos alemães qualifica ambas. Nessa altura, os jogos da última jornada não aconteciam ao mesmo tempo e a Argélia tinha vencido o Chile por 3-2 no outro jogo do grupo.
Aos 10 minutos, Horst Hrubesch fez o golo que permitiu a combinação perfeita e, a partir daí, o jogo acabou. As duas equipas passaram o resto da partida a trocar passes e sem criar perigo, levando adeptos espanhóis a acenarem com pesetas e a cantarem "Argélia!" e "Beijem-se". No fim, Áustria e RFA seguiram em frente e a Argélia, com quatro pontos, foi eliminada.
A Argélia ainda protestou, mas não havia provas de combinação de resultados. O jogo, que ficou conhecido como a "Vergonha de Gijón", levou a que a FIFA mudasse as regras, fazendo com que os jogos do mesmo grupo acontecessem em simultâneo, mas não impediu que o caso pudesse voltar a acontecer.
Quis o destino que 2026 testemunhasse o reencontro entre Argélia e Áustria num Mundial, desta vez numa última jornada da fase de grupos, num cenário em que, caso as duas empatem, ambas passam à fase a eliminar.
A acrescentar a isso, sabem que a vitória não dará nada de novo, já que a Argentina assegurou o topo do grupo ao vencer os dois países.
Na televisão, a assistir ao jogo para saber se avança ou não, estava o Irão, um país alvo de ataques militares dos Estados Unidos, que se tem queixado de injustiças da organização e da FIFA neste Mundial, pela falta de técnicos de logística e por problemas nas deslocações que levaram a seleção a ter instalar-se no México e a ter de viajar para os Estados Unidos a cada jogo.
Uma vitória da Áustria ou da Argélia colocava o Irão nos 16 avos, frente à Suíça. O empate colocava as duas seleções na fase seguinte, com a Áustria a defrontar a Espanha e a Argélia a Suíça.
O jogo começou como se previa: duas equipas que queriam mais não perder do que ganhar.
Sem grandes lances de perigo, a primeira verdadeira oportunidade de mexer com o marcador deu golo, já para lá da pausa de hidratação: aos 28 minutos, Arnautovic coloca a Áustria na liderança e a Argélia a suar, depois de um lançamento de Alaba.
O jogo muda e a Argélia acelera, à procura da igualdade. E ela chega ainda antes do intervalo, aos 45 minutos, com a ajuda da bandeirola de canto, que impede que a bola saia de campo. Mahrez aproveitou, Belghali acreditou e os argelinos estavam novamente dentro do Mundial.
A Áustria muda a cara para a segunda parte, coloca três jogadores diferentes e rapidamente apanha a Argélia em contrapé: Sabitzer faz o 2-1 aos 55 minutos com um golo à entrada da área.
Mas a vantagem não dura sequer cinco minutos: Mahrez, estrela da Argélia, faz o empate depois de uma arrancada pela esquerda de Aouar.
Depois de quatro golos, esperava-se que as duas equipas acalmassem, já com a qualificação em vista. Entre o minuto 68 e os descontos finais, não houve qualquer remate à baliza de nenhuma das equipas, antevendo que o resultado ficaria por ali.
Só que Aouar e Mahrez tinham outros planos: um golo aos 90+3 passou a colocar o Irão nos 16 avos e deixava a Áustria de fora.
O sonho do Irão, porém, durou apenas três minutos. Entrado aos 90+5, Kalajdžić marcou já para lá da hora, no último lance do jogo. Um cabeceamento do avançado de 2 metros voltou a colocar igualdade no marcador e a deixar o Irão de fora.