Venezuela. “Quero encontrar os meus filhos, vivos ou mortos”

Venezuela. “Quero encontrar os meus filhos, vivos ou mortos”

  • 29/06/2026 03:54
  • Redação

Um homem pediu aos agentes presentes que se juntassem aos trabalhos de remoção dos escombros.

“Onde estão as fardas? Temos de ter empatia pelos outros. Quero encontrar os meus filhos, vivos ou mortos, mas quero-os comigo. Não vão atirá-los para uma vala comum”, afirmou visivelmente abalado pela incerteza quanto ao paradeiro dos familiares.

Cenas como esta refletem o clima de tensão que se vive em várias das zonas mais afetadas de La Guaira, onde familiares e vizinhos permanecem ao lado das equipas de resgate na esperança de encontrar pessoas com vida entre os escombros.

“A polícia chega, grava um vídeo, tira uma foto e vai-se embora”, criticam os populares.

“Das pessoas que estavam vivas, quando chegámos e nos dias seguintes, já não temos sinais delas. Ainda assim, espero que possamos resgatar alguém ainda vivo, mas a verdade é que, à medida que o tempo passa, a esperança diminui, não é? Também devido ao estado em que o edifício ficou", disse outra moradora, Leonela Delgado, à agência de notícias EFE, que continua à procura do enteado entre os escombros de um edifício desmoronado.

Mas a falta de pessoas nas buscas em algumas zonas não é o único obstáculo. Em Corales, Javier Erken, membro do grupo de 40 bombeiros peruanos que chegou na passada sexta-feira à Venezuela, disse à EFE que a temperatura dificulta os trabalhos de busca de sobreviventes e de recuperação de corpos.

"O que está a marcar a diferença aqui (em La Guaira), e que nos está a afetar imenso, é a temperatura. A temperatura complica as operações, em primeiro lugar devido à desidratação do pessoal; em segundo lugar, devido à rápida decomposição dos cadáveres", sublinhou Erken.

Já a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, elogiou no domingo as equipas de socorro por continuarem a retirar sobreviventes dos escombros.

"Hoje resgatámos pessoas que ainda estão vivas e, por isso, estes esforços não vão ser suspensos", declarou. "Mantemos sempre a esperança", acrescenta.

Segundo a EFE descreve, no terreno, o cheiro da morte é tão intenso em algumas zonas que chega a ser sentido mesmo com máscaras, num contexto de edifícios desmoronados, queimados, inabitáveis e evacuados devido à destruição.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: