Sobreviveram à deportação dos EUA, mas chegaram (e morreram) no dia do sismo da Venezuela
- 29/06/2026 07:51
- Redação
O grupo era composto por cerca de 120 homens, 19 mulheres e sete crianças, que tinham chegado poucas horas antes num voo proveniente de Miami, aterrando no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, muito próximo do epicentro do terramoto.
Os migrantes tinham sido deportados ao abrigo da política de imigração da administração de Donald Trump e, segundo o jornal espanhol, muitos tinham acabado de sair de centros de detenção do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE).
Pouco depois da chegada, foram encaminhados para o hotel gerido pela Fundação Missão Hipólita, uma instituição ligada ao Estado venezuelano. Horas mais tarde, o edifício ruiu na sequência dos dois fortes abalos sísmicos, de magnitude 7,2 e 7,5, que atingiram o norte do país em poucos minutos.
O El País relata que vários sobreviventes e familiares afirmam que, quando começaram os primeiros abalos, alguns ocupantes não conseguiram abandonar o edifício, alegando que os acessos estavam controlados por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin). As autoridades venezuelanas não confirmaram estas acusações.
A tragédia é agravada pela incerteza que continua a afetar as famílias. De acordo com o jornal espanhol, o Governo venezuelano ainda não divulgou uma lista oficial das vítimas nem dos sobreviventes deste grupo de deportados, obrigando familiares a percorrer hospitais, morgues e centros de acolhimento à procura de informações.
Até ao momento, os únicos relatos conhecidos são os prestados pelos socorristas e pelos familiares dos 12 sobreviventes, enquanto prosseguem as operações de busca entre os escombros.
Para muitos familiares, citados pelo El País, a tragédia assume um simbolismo particularmente cruel: depois de enfrentarem a deportação dos Estados Unidos, os seus parentes morreram poucas horas após regressarem ao país onde esperavam recomeçar a vida.
O caso ocorre num contexto de forte tensão política entre Washington e Caracas. As deportações de cidadãos venezuelanos intensificaram-se nos últimos meses e este grupo fazia parte de um dos voos de repatriação organizados nesse âmbito.
A história destes deportados tornou-se um dos episódios mais marcantes do terramoto que devastou a Venezuela. Para o jornal espanhol, representa o drama de pessoas que sobreviveram ao processo de expulsão dos Estados Unidos, mas acabaram por encontrar a morte poucas horas depois de regressarem ao seu país.