László Krasznahorkai diz que Trump “deveria ser mandado para o espaço, sem regresso”

László Krasznahorkai diz que Trump “deveria ser mandado para o espaço, sem regresso”

  • 29/06/2026 09:39
  • Redação

O presidente norte-americano “deveria ser enviado para o espaço, numa viagem grátis, sem se divulgar qual o destino”, o desejo “secreto” é do Prémio Nobel da Literatura, László Krasznahorkai e foi partilhado com o público do Festival Babell este domingo, no Porto.

A ideia levou o moderador da sessão, o músico Pedro Abrunhosa, a dizer: “Nós também temos algumas pessoas aqui que gostávamos de mandar”, na mesma viagem sem destino. Abrunhosa não precisou de nomear ninguém, para arrancar um aplauso ruidoso do público.

László Krasznahorkai referiu-se a Trump como “uma figura narcisista que saiu do esgoto da história”.

Outro dos temas políticos que marcou a conversa com o escritor húngaro foi a queda de Viktor Orbán do poder, em abril passado. “Um resultado fantástico”, considerou o escritor.

Depois de 16 anos a liderar a Hungria, Orbán foi derrotado por Peter Magyar. “Eu espero que ele não volte”, desabafou o escritor que preferiu falar na sua língua mãe.

“Sinto-me infinitamente grato a uma pessoa que praticamente sozinha montou um movimento e, nas eleições, conquistou a vitória”, apontou.

“Precisamos de uma geração mais jovem, que antes nem podia votar, porque não tinha esperança”, afirmou, explicando que sente que “a alegria” regressou à Hungria.

“Parece que somos uma família, agora queremos descanso”, sublinhou o autor. É que, nas palavras de László Krasznahorkai, “se há um ditador no país, devemos lembrar-nos que poderá haver outros”.

Numa sessão marcada pela tradução com recurso a inteligência artificial na transcrição, e que nem sempre foi muito afinada, o músico Pedro Abrunhosa questionou o Nobel sobre livros como o recente, “Herscht 07769” (ed. Cavalo de Ferro) e pela ausência de pontuação ou frases curtas.

“Não consigo dizer tudo em frases curtas, tenho de seguir o fluxo”, justificou o autor que vestia todo de preto, a contrastar com Abrunhosa que vestia um fato branco. Mas esta não foi uma conversa a preto e branco e, a prová-lo, a resposta de László Krasznahorkai sobre a pontuação: “Só evito os pontos finais porque sempre entendi e acredito que o ponto final, o último, será colocado por Deus.”

O autor, que no final da sessão a céu aberto teve de colocar uns óculos escuros como Pedro Abrunhosa, deixou um repto. “Não se esqueçam de ler um livro. É sempre um caminho”, pediu o autor de “O Tango de Satanás” (ed. Cavalo de Ferro).

  • Fonte: Rádio Renascença
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