Descoberta surpreendente na Escócia: ilha artificial tem cinco mil anos e é mais antiga do que Stonehenge
- 29/06/2026 10:35
- Redação
Uma equipa de arqueólogos descobriu na Escócia uma ilha artificial construída há cerca de cinco mil anos, demonstrando que estas estruturas pré-históricas são muito mais antigas do que se pensava.
A investigação revelou que a estrutura começou por ser uma plataforma circular de madeira com cerca de 23 metros de diâmetro, posteriormente reforçada com camadas de arbustos e pedras ao longo de milhares de anos. Os arqueólogos identificaram também uma antiga calçada de pedra, atualmente submersa, que ligava a margem do lago à ilha.
A datação por radiocarbono permitiu concluir que a construção é mais antiga do que Stonehenge, tornando este crannog um dos mais antigos conhecidos.
Durante as escavações foram recuperados centenas de fragmentos de cerâmica neolítica, pertencentes a jarros e tigelas, muitos deles encontrados no fundo do lago em redor da ilha. Para Stephanie Blankshein, estes vestígios ajudam a compreender a função do local. "Embora ainda não saibamos exatamente por que razão estas ilhas foram construídas, os recursos e a mão de obra necessários sugerem não apenas comunidades complexas capazes de realizar estas obras, mas também a enorme importância destes locais."
A investigadora acrescenta que "as grandes quantidades de cerâmica, muitas vezes ainda com resíduos de alimentos, e os utensílios em pedra encontrados nas ilhas e nas áreas circundantes sugerem que estes locais eram utilizados para atividades comunitárias, como cozinhar ou realizar banquetes."
Os investigadores recorreram ainda a uma nova técnica de estereofotogrametria, que permitiu criar modelos tridimensionais de elevada precisão da ilha, tanto acima como abaixo da linha de água.
O professor Fraser Sturt, diretor do Instituto Marinho e Marítimo da Universidade de Southampton, explica que "as águas pouco profundas representam um desafio bem conhecido para os arqueólogos", devido aos sedimentos, à vegetação e às distorções provocadas pela luz, que dificultam a utilização da fotogrametria convencional.
Para ultrapassar essas limitações, a equipa utilizou duas câmaras subaquáticas montadas num suporte rígido e operadas por um mergulhador, conseguindo um nível de precisão semelhante ao obtido com drones aéreos.
Stephanie Blankshein considera que a nova metodologia poderá abrir caminho a novas investigações: "Ao combinar estereofotogrametria, tecnologia de drones e um processamento inovador dos dados, conseguimos desenvolver uma abordagem acessível, portátil e económica."
Os investigadores acreditam que esta técnica permitirá estudar outros crannogs ainda pouco conhecidos e aprofundar o conhecimento sobre estas enigmáticas ilhas artificiais do período neolítico.