PJ resgata duas vítimas exploradas durante 15 e 30 anos por rede de tráfico humano
- 29/06/2026 10:32
- Redação
A Polícia Judiciária (PJ) e a Guardia Civil espanhola desmantelaram uma rede criminosa dedicada ao tráfico de pessoas para exploração laboral, numa operação conjunta denominada "Mãos Livres", que resultou na detenção de cinco suspeitos e no resgate de duas vítimas.
Em comunicado, a PJ explica que a investigação, conduzida pela Diretoria do Centro em colaboração com a Guardia Civil de Burgos, em Castela e Leão, decorreu em duas fases e culminou com a detenção de três suspeitos em Espanha, ao abrigo de mandados de detenção europeus emitidos pelo Tribunal de Coimbra, em articulação com a Eurojust, e de dois em Portugal, nos dias 23 e 29 de junho.
Segundo a Polícia Judiciária, o grupo, de caráter familiar, "recrutava em Portugal pessoas fragilizadas, com carências económicas e em processos de exclusão social", conduzindo-as depois para Espanha, onde eram exploradas em trabalhos agrícolas pouco qualificados.
As autoridades referem que as vítimas eram mantidas "controladas, a viver em deploráveis condições de habitabilidade e alimentação, sob constante coação", enquanto os suspeitos se apropriavam da quase totalidade dos salários pagos pelos empregadores.
De acordo com a PJ, os exploradores inscreviam ainda as vítimas na Segurança Social espanhola para celebrar contratos de trabalho e beneficiar de prestações sociais. Em seu nome eram igualmente abertas contas bancárias e registados veículos, uma estratégia que, segundo a polícia, visava dificultar a ação das autoridades.
Durante as diligências realizadas em Espanha, no âmbito da investigação dirigida pelo DIAP Regional de Coimbra, foram apreendidos documentos, saldos bancários e dois imóveis.
As duas vítimas agora libertadas tinham permanecido sob domínio dos suspeitos durante 30 e 15 anos, respetivamente. A PJ revela que a vítima mais velha "foi inclusivamente transacionada entre elementos do grupo, como se de uma mercadoria se tratasse".
Os três detidos em Espanha, com idades entre os 32 e os 35 anos, foram presentes à Audiência Nacional, em Madrid, para efeitos de extradição para Portugal. Os dois detidos em território nacional, de 54 e 56 anos, um deles com antecedentes por crimes da mesma natureza, serão presentes à autoridade judiciária para aplicação das medidas de coação consideradas adequadas.