Onda de calor: ministra da Saúde alerta para "impacto na mortalidade"
- 29/06/2026 12:26
- Redação
"Quando existem ondas de calor com esta magnitude, naturalmente que o nosso indicador, o Ícaro [sistema do INSA que avalia o impacto das altas temperaturas na mortalidade em Portugal] que mede a relação entre o aumento significativo de temperatura e o impacto potencial na mortalidade, obviamente que acusa aqui a possibilidade de um impacto na mortalidade, tal como está a acontecer noutros países. A França, por exemplo, tem sido um dos países muito fustigado", disse Ana Paula Martins.
Em declarações aos jornalistas em Matosinhos, no distrito do Porto, onde assinalou a abertura do programa de intervenção para dependência de videojogos do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), a ministra da Saúde admitiu que a onda de calor que se avizinha é "muito preocupante".
"Naturalmente, fazemos tudo para que esse impacto não se faça sentir e, de facto, na primeira onda de calor, felizmente, não houve impacto. Mas esta que vamos viver agora é uma onda de calor muito, muito preocupante", disse.
Frisando estar em coordenação com a Proteção Civil, mas sem adiantar que medidas serão adotadas e concreto, Ana Paula Martins aproveitou para fazer apelos aos portugueses para que se previnam e protejam.
"Sigam as instruções dos seus médicos de família, dos enfermeiros, de toda a equipa de saúde. Por favor, sigam as instruções que a Direção-Geral de Saúde está a toda hora a colocar nas redes sociais, nos órgãos de comunicação social. Isto tem-nos ajudado muito, para se protegerem de facto, desta onda de calor", referiu.
Ana Paula Martins pediu especial atenção às pessoas que têm doenças crónicas e aos seniores e garantiu que as Unidades Locais de Saúde têm o seu próprio plano de contingência para receber mais pessoas.
"As nossas equipas tornam-se quase, se me permitem dizer, elásticas, ou seja, procuram encontrar soluções (...). Devemos evitar a descompensação, evitar que as pessoas cheguem à urgência. Não vos escondo que nos preocupa muito esta onda de calor e outras que se avizinham", reiterou, prometendo maior contacto por exemplo com os lares de idosos.
Cinco distritos estão esta segunda-feira em aviso amarelo por causa do calor: Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja, mas a situação vai agravar-se nos próximos dias,
Na quarta-feira, todos os distrito de Portugal continental estarão em aviso amarelo, com temperaturas a ultrapassarem os 40 graus em algumas zonas do país.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) lançou esta segunda-feira um guia com recomendações para proteger trabalhadores expostos a temperaturas elevadas, incluindo planos de prevenção nas empresas, organização do trabalho e reforço da hidratação para reduzir riscos como acidentes, desidratação e doenças associadas ao calor.
“As alterações climáticas têm originado ondas de calor mais frequentes, intensas e prolongadas em Portugal, que têm profundos impactos na Segurança e Saúde do Trabalho/Saúde Ocupacional (SST/SO)”, alerta a Direção-Geral da Saúde.
Segundo a autoridade de saúde, a exposição a temperaturas elevadas no local de trabalho “reduz a concentração, aumenta a probabilidade de acidentes e contribui para o aparecimento de lesões e doenças relacionadas com o calor”.
Os trabalhadores mais expostos são os que trabalham ao ar livre, sobretudo ao sol, como na construção, agricultura, silvicultura, pesca, recolha de lixo e serviços de emergência, mas também os que trabalham em espaços interiores quentes, como estufas, fornos ou fundições, ou em locais sem boa ventilação ou ar condicionado.
A DGS explica que o ‘stress’ térmico ocorre quando o corpo não consegue manter a temperatura entre 36°C e 37°C, podendo ultrapassar 38°C em trabalho prolongado, aumentando o risco de doença.
Os principais efeitos incluem insolação, exaustão pelo calor, síncope térmica, cãibras e erupções cutâneas. A insolação é a forma mais grave e pode exigir contacto imediato com o 112.
A Organização Mundial da Saúde estima que 2,4 mil milhões de trabalhadores em todo o mundo estão expostos a calor excessivo, resultando em mais de 22,85 milhões de danos para a saúde por ano.
A Organização Internacional do Trabalho estima que, até 2030, o aumento da temperatura global tornará 2% das horas de trabalho excessivamente quentes para o desempenho seguro das atividades laborais.