Pastoreio elétrico ajuda a prevenir incêndios e a reduzir impacto do lobo em Paredes de Coura
- 29/06/2026 15:14
- Redação
O recurso ao pastoreio elétrico de cabras na área da Paisagem Protegida do Corno de Bico está a dar provas de eficácia, em Paredes de Coura, na prevenção de incêndios e na redução do ataque de lobos.
Em declarações hoje à agência Lusa, o técnico coordenador do Green Gap, Emanuel Oliveira, explicou que "as infraestruturas de apoio foram pensadas numa lógica de sustentabilidade".
A criação de estábulos, construídos através do reaproveitamento de estruturas de antigas estufas, proporciona abrigo ao rebanho e dá uma nova utilidade a materiais já existentes.
Para assegurar maior segurança às cabras, foi instalada uma rede eletrificada na área de pastoreio, reduzindo o risco de ataques de lobos.
Além disso, explicou Emanuel Oliveira, "as cabras usam um dispositivo GPS, o que permite saber onde estão, se estão a pastar, a descansar ou a fugir de um lobo, permitindo agir com celeridade".
O projeto foi apadrinhado, há três anos, por um produtor de gado de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo, que aderiu ao pastoreio preventivo, na altura com 14 cabras na área da Paisagem Protegida do Corno de Bico, e hoje com 50, conciliando a gestão da vegetação com a valorização da atividade pastoril.
A "área total do projeto é de cinco hectares, mas a vedação elétrica amovível é de dois hectares".
O projeto-piloto "surgiu da necessidade de encontrar soluções sustentáveis para reduzir a carga de combustível existente nos terrenos, numa região onde o abandono das práticas agrícolas e do pastoreio tradicional tem contribuído para o aumento do risco de incêndio".
As "cabras desempenham um papel particularmente importante neste processo, uma vez que conseguem alimentar-se de espécies arbustivas como o tojo, pouco apetecível para outros animais, contribuindo para o controlo da vegetação espontânea e para a diminuição do material combustível".
Além dos benefícios ambientais, o projeto pretende contribuir para a revitalização da atividade pastoril e para a fixação de população no território.
"O abandono do pastoreio em zonas de serra e monte tem favorecido a acumulação de vegetação, aumentando o potencial de propagação dos incêndios florestais. A recuperação desta prática tradicional representa, por isso, uma resposta simultaneamente ecológica, económica e social", referiu Emanuel Oliveira.
A Câmara de Paredes de Coura, "através do seu gabinete técnico, continua a acompanhar e monitorizar a evolução do projeto, acreditando que esta experiência poderá servir de modelo para outros territórios com características semelhantes".
Para o presidente da câmara, Tiago Cunha, "o grande desafio que as autarquias enfrentam hoje é um desafio de gestão do território adaptada àquelas que são as alterações climáticas".
"Todo o ano falamos sobre o risco de incêndio, falamos sobre o que lavra nos montes, a acumulação de material combustível. O que pretendemos fazer é, no fundo, demonstrar que é possível e que existe mercado para fazermos uma gestão de combustíveis de uma forma sustentável, de uma forma economicamente válida, ou seja, que gere valor para a comunidade e sem ter de recorrer a maquinaria pesada para fazer a gestão da chamada rede primária", explicou o autarca socialista Tiago Cunha.
Tiago Cunha alertou que "a paisagem do Corno de Bico é muito sensível e a utilização de maquinaria pesada gera erosão".
O "objetivo passa por demonstrar que, criando as condições adequadas para proteger os animais e apoiar os pastores, é possível recuperar uma atividade ancestral que continua a desempenhar um papel essencial na gestão da paisagem e na prevenção dos incêndios rurais".