Prisão para antiga notária de Vieira do Minho por "desviar" 81 mil euros
- 29/06/2026 16:52
- Redação
O Tribunal de Braga condenou hoje a seis anos e 10 meses de prisão uma antiga notária de Vieira do Minho por se ter apropriado de mais de 81 mil euros entregues por clientes para pagamentos à Autoridade Tributária.
A arguida foi condenada por quatro crimes de peculato, três dos quais na forma continuada e agravada, e três crimes de falsificação de documento.
O tribunal deu como provado que a arguida, aproveitando-se da sua qualidade de notária, "formulou o desígnio" de se apropriar, no seu interesse e em seu próprio benefício, de património pertencente a várias pessoas que procuravam os seus serviços.
A arguida visaria, sobretudo, o dinheiro que lhe era entregue para o pagamento dos registos e dos impostos relativos aos atos que os clientes a contactavam para celebrar, "apondo informação falsa nas escrituras e forjando faturas, se necessário fosse, para consegui-lo".
O "desígnio" da arguida terá começado antes de 2012 e prolongado-se até 2018.
A arguida terá conseguido apropriar-se de 81.124,72 euros, dinheiro "que não lhe pertencia e a que apenas teve acesso por via da qualidade de notária e das funções que, correspondentemente, lhe foram, nesse contexto, atribuídas".
O tribunal considerou que a arguida agiu de forma livre, voluntária e consciente, "provocando, como sabia e quis, prejuízo aos ofendidos, por empobrecimento e em idêntica medida".
A arguida pugnou pela improcedência da acusação criminal e dos pedidos cíveis, admitindo apenas que poderá ter havido falhas decorrentes de esquecimentos, de alguma desorganização e de excesso de trabalho.
Em 2018, a sua licença de notariado foi suspensa, na sequência de um processo disciplinar movido pela Ordem dos Notários.
No ano seguinte, ficou definida a sanção disciplinar de interdição definitiva do exercício da atividade notarial.