Lagarde rejeita críticas ao aumento dos juros este mês, decisão foi “justificada”
- 29/06/2026 18:28
- Redação
Na abertura de mais uma edição do Fórum do BCE, em Sintra, que junta anualmente banqueiros centrais, economistas e académicos internacionais, Christine Lagarde passou grande parte do discurso a justificar a primeira subida dos juros em três anos.
Na reunião de 11 de junho, o Banco Central Europeu subiu as três taxas diretoras em 25 pontos base, em reação à guerra no Médio Oriente e ao impacto da subida do preço do petróleo nos restantes preços.
A presidente do Banco Central Europeu assegura que não procurou ganhar margem de manobra com esta decisão. "Houve quem caracterizasse a subida das taxas de juro que efetuámos no início deste mês como uma 'subida de segurança'. Lamento, mas esta descrição não é correta", afirmou Christine Lagarde.
"A nossa análise mostrou que manter as taxas de juro constantes teria deixado a inflação acima de 2% em 2027 e 2028. Esta decisão baseou-se naquilo que vimos diante de nós", acrescentou Christine Lagarde.
Christine Lagarde sublinha que o atual contexto é de elevada volatilidade geopolítica, mas os dados disponíveis sustentam a subida de juros decidida este mês.
"O aumento das taxas de juro era justificado em todos os cenários: ligeiro, adverso e severo. Foi uma decisão robusta do ponto de vista da conceção e nada do que observamos desde então pôs em causa a nossa apreciação", disse Christine Lagarde.
A presidente do BCE avisa ainda que a política monetária voltou ao "essencial". As taxas de juro voltaram a ser o principal instrumento para estabilizar a inflação e terminaram as medidas "não convencionais", como a compra de dívida.
"Já não precisamos de recorrer a instrumentos não convencionais. Embora os tenhamos à nossa disposição, podemos agora concentrar-nos na estabilização da inflação. Não precisamos de decidir com a mesma força. Podemos fazer ajustes ponderados nas taxas, calibrados aos choques que enfrentamos. E já não precisamos de formas complexas de orientação", explicou Christine Lagarde.
Como decide hoje o BCE? "Com base nos dados e reunião a reunião. A política monetária voltou ao essencial", concluiu Christine Lagarde.
Mas o "essencial" não significa voltar ao passado. Lagarde diz que os choques são agora mais frequentes e desafiam os modelos estatísticos e matemáticos. As reações estratégicas podem conduzir a efeitos inesperados. Por outro lado, os choques são mais voláteis, o que deixa a política monetária num "novo território" que exige respostas determinadas.
A próxima reunião do BCE, em que os governadores podem voltar a mexer nos juros, está marcada para 23 de julho. Lagarde voltou a apontar os critérios de análise: "As nossas decisões sobre as taxas de juro norteiam-se pelas perspetivas de inflação, pela dinâmica da inflação subjacente e pela força da transmissão da política monetária", afirmou.
Sobre o sentido da próxima decisão, não foi dada qualquer indicação para já, mas o Fórum está a começar e os trabalhos só terminam na quarta-feira.
Este ano, o encontro de Sintra tem como tema "Moldar o futuro da Europa: inovação, crescimento e estabilidade". Há 11 caras novas no encontro, com destaque para o presidente da Reserva Federal norte-americana, Kevin Warsh.