Portugal preparado para um sismo como na Venezuela? Dispositivo tem "falhas gritantes"

  • 29/06/2026 18:26
  • Redação

O antigo ministro das Finanças Fernando Medina alerta para a falta de preparação em Portugal para dar resposta a um sismo. O ex-governante começa por realçar as falhas registadas na Proteção Civil nacional em situações recentes que considera "serem motivos de preocupação".

Antigo ministro do PS e ex-autarca de Lisboa, Fernando Medina indica que em Portugal ainda há habitações que não cumprem os padrões de resistência sísmica, mas realça que um dos fatores mais preocupantes é "o baixo nível de preparação da população sobre que fazer em situação de sísmica" e sobre o papel que cada um terá. "Não é para mim nada claro, por exemplo, que seja presente na cabeça das pessoas se devem sair de casa ou não e onde é que se devem colocar perante um sismo", realça.

Fernando Medina entende que é na formação cívica que deve existir "um esforço que as autoridades". Considera que é uma obrigação fazer mais e promover com mais intensidade não só exercícios anuais como informação regular. "Nós, cada dia que passa, estamos sempre mais perto de uma ocorrência desta natureza, porque irá acontecer", avisa.

O antigo governante confessa ainda que a dimensão da preparação das entidades de Proteção Civil "levanta preocupações". O antigo ministro recorda os últimos eventos como as tempestades e os incêndios para dar como exemplo algumas falhas. "Nós temos tido a sucessão de vários eventos de proteção civil de grande dimensão e se há coisa que infelizmente não podemos retirar é um sentimento de tranquilidade", defende.

Fernando Medina acredita que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, esteja já atento, mas realça que o dispositivo apresenta "falhas gritantes" e que é exigível um sistema mais robusto.

Miguel Poiares Maduro reconhece as mesmas falhas, apesar de sublinhar que a capacidade de resposta em Portugal será melhor que a de países como a Venezuela em que as instituições já estavam em crise. O social-democrata reconhece que, em Portugal, as instituições estiveram "longe de ser perfeitas" na capacidade de resposta aos últimos eventos, mas espera que os erros tenham ajudado as autoridades a tornarem-se mais "resilientes".

O social-democrata já tinha criticado o Governo por procurar entendimentos com o Chega e espera que desta vez o executivo "tenha aprendido", depois de ter alcançado um acordo com o PS para aprovar a Prestação Social Única (PSU). Miguel Poiares Maduro entende que o PS tem outra "responsabilidade" que o Chega num processo negocial.

Também o socialista Fernando Medina concorda que é "bom" o acordo conseguido entre PS e Governo, mas tem dúvidas de que o mesmo represente um novo passo na relação entre os dois.

Medina tem dúvidas de que o executivo tenha aprendido a excluir o Chega das relações. "Eu não vou tão longe a tirar essas conclusões, porque isso era partir de um pressuposto que Luís Montenegro e o seu núcleo político fizeram uma aprendizagem e uma mudança. Eu acho que ninguém pode dizer que isso aconteceu, até porque até agora aplicaram sempre a estratégia contrária", diz sobre a relação do Governo com o Chega e o PS.

O antigo ministro das Finanças é crítico às opções do Governo e avisa que as mesmas vão ser "pagas no médio prazo" pelo país.

Na semana passada o FMI lançou um relatório com previsões de saldo nulo Portugal em 2026 e no próximo ano e um regresso ao défice em 2028.

Fernando Medina destaca as previsões como resultado das opções do Governo e do desparecimento do PRR. O antigo ministro diz que a queda no investimento vai ter impacto no PIB e no emprego. Fenando Medina diz que o executivo "devia ter prevenido" e não seguido o caminho de satisfazer "os descontentes" da administração pública.

  • Fonte: Rádio Renascença
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