Um acordo desequilibrado

Um acordo desequilibrado

  • 30/06/2026 01:55
  • Redação

Perplexo, Trump repete que o Irão, bombardeado pelos EUA, ficou sem exército, sem marinha, sem força aérea, sem nada – e, no entanto, o Irão continua a resistir às exigências americanas. Trump conseguiu um frágil acordo de cessar-fogo, pagando bem ao Irão.

Mas ninguém sabe como ficará o estreito de Ormuz. Consta que o Irão se prepara, uma vez passados os 60 dias durante os quais, segundo o referido acordo, não serão cobradas portagens, para avançar com um sistema de taxas que poderá render 40 mil milhões de dólares por ano.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, advertiu que, segundo o direito internacional, nenhuma nação está autorizada a cobrar portagens pela utilização de vias marítimas internacionais. Mas Trump parece cansado e sem energia para defender a livre circulação de navios no estreito de Ormuz. Talvez por isso aceitou que os EUA retirem as suas forças armadas dentro de 30 dias.

Trump apenas recebeu do Irão a promessa de não ter uma bomba nuclear. Mas foram ignoradas outras exigências, como mudar o regime político do país ou limitar os mísseis balísticos do Irão.

Israel não foi parte do desequilibrado acordo entre os EUA e o Irão. Mas ninguém espera que o primeiro ministro israelita Netanyahu se abstenha de intervir, até porque ele irá enfrentar eleições em Outubro.

No sábado o Irão disse ter atingido vários alvos norte-americanos, em retaliação pelos ataques dos EUA. Não é um bom começo para o acordo que deveria ter posto fim à guerra entre os EUA e o Irão.

O semanário britânico The Economist comenta que Trump julga que o Irão fará o que for necessário se receber dinheiro. Ora, escreve o Economist, uma regra da diplomacia é não imaginar que o adversário pensa como nós.

  • Fonte: Rádio Renascença
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