Revolta após sismos na Venezuela. "Há prédios onde ainda não chegaram equipas de resgate"
- 30/06/2026 01:34
- Redação
“As pessoas estão bastante revoltadas porque têm familiares lá, por baixo dos escombros, e há prédios em que ainda não chegou ninguém para fazer o resgate e salvamento”, começa por contar a presidente da Associação de Migrantes Venezuelanos na Madeira (Venecom).
Para ela é desolador ouvir estas pessoas, e “o desespero de saberem que os familiares estão lá e que não há pessoal suficiente para ajudar nos trabalhos de salvamento”.
Ana conta que, nas chamadas, as pessoas se sentem “ansiosas, desesperadas e desoladas com tudo o que está a acontecer”.
A revolta, conta Ana, nasce das repetidas situações em que a burocracia está a impedir que haja maior celeridade no resgate de vítimas. “Estão também a fazer com que não entrem bens necessários e a impedir a ajuda”, analisa.
Ana Cristina Monteiro critica a aparente falta de organização. “Não há uma gestão da crise eficiente e isso demonstra-se com a quantidade de imagens de militares na rua, mas militares para impedir o acesso e não para ajudar nas buscas ou para ajudar nos centros onde estão as pessoas a serem acolhidas”, ilustra.
A advogada afirma que além de meios humanos, na Venezuela falta maquinaria e meios tecnológicos como “os equipamentos mais avançados com que se conseguem determinar se ainda há pessoas com vida” debaixo dos escombros.
“Lamentavelmente, a Venezuela não tem nada disso, não tem equipamentos”, concretiza. “Isto demonstra o abandono em que o país tem vivido nos últimos anos”, resume.
Ainda assim, pensa que num momento como este, “numa catástrofe nesta dimensão”, o regime “deveria ser suficientemente maduro e sensível para entender que se não temos as condições de salvamento necessárias, temos que deixar esses outros países que nos querem ajudar a entrar e facilitar essa entrada”, acrescenta.
Nestes cenários de catástrofe natural, é frequente que se sigam episódios de vandalismo e saque. Algo a que a Venezuela também não está a escapar.
“Também nos têm chegado relatos disso, até de que há pessoas fardadas a entrar nos prédios e a pilhar as poucas coisas que ficaram nas casas que ficaram desalojadas. É lamentável”, refere.
A nível regional na Madeira, ilha onde há uma grande quantidade de venezuelanos, está a ser organizada uma recolha de produtos essenciais para seguirem na próxima sexta-feira para a Venezuela. São eles sobretudo as fórmulas para bebés, os biberons, as fraldas para adultos e para crianças, os protetores de cama e também aqueles colchões de campismo.
Na última atualização, no balanço global das autoridades venezuelanas, estão contabilizados 1.450 mortos, 64.499 desaparecidos e 3.150 feridos.