Faltam foco e competências básicas aos alunos quando entram no 1.º ciclo

Faltam foco e competências básicas aos alunos quando entram no 1.º ciclo

  • 30/06/2026 01:10
  • Redação

Os programas EPIS – Empresários pela Inclusão Social melhoram resultados académicos e reduzem o abandono escolar no secundário. É o que se pode concluir a partir das avaliações feitas junto de alunos do 1.º e 3.º ciclos de escolaridade.

Relativamente os alunos mais novos foi possível perceber que chegam à escola sem uma série de “competências base”, salienta o investigador Pedro Bem-Haja, da Universidade de Aveiro.

Este investigador do Neurolab, laboratório dedicado ao estudo das bases neurológicas do comportamento, da emoção e da cognição, defende que a intervenção precoce “mais do que melhorar notas no curto prazo, cria condições que tornam o apoio futuro mais eficaz”.

A avaliação mostra que os alunos que receberam acompanhamento intensivo nos dois primeiros anos chegavam ao 4.º ano “com vantagens de mais de 20 pontos percentuais a Português”, mesmo quando, nos dois anos finais, o apoio era equivalente ao dos restantes alunos.

Uma situação que leva este investigador a dizer que “é quase impreterível não deixarmos, nomeadamente os alunos de baixo estatuto socioeconómico, de intervir logo ao início da entrada no 1.º ciclo”.

Uma situação que leva este investigador a concluir que “a fase inicial, funcional, é responsável por construir as bases cognitivas sobre as quais assenta a aprendizagem seguinte.”

Pedro Bem-Haja defende que “é preciso começar em coisas mais básicas, como construindo uma escada, nesta lógica das competências precoces de numeracia e literacia” para “mais do que melhorar notas a curto prazo, poder mudar trajetórias escolares”.

Quanto aos alunos do 3.º ciclo, a avaliação foi de longo prazo e foi conduzida por economistas da Nova SBE, que acompanhou alunos apoiados entre 2014 e 2016 e seguiu-os ao longo de quase uma década. A conclusão é que os alunos apoiados tiveram percursos escolares mais longos, com maior probabilidade de chegar ao ensino secundário.

Segundo os especialistas, o impacto é estatisticamente significativo e manteve-se ao longo dos anos. De destacar ainda que são as raparigas a registar os impactos mais fortes nos seus percursos.

Através do seu programa de promoção do sucesso escolar, a EPIS acompanhou mais de 13 mil alunos, em 2025.

  • Fonte: Rádio Renascença
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