Carneiro envia carta a Montenegro com pedidos de ajuda de portugueses na Venezuela
- 30/06/2026 04:05
- Redação
O líder do PS considera que foi positivo o Governo ter tido a “sensibilidade e a agilidade para responder nas primeiras horas”, ao enviar um primeiro contingente com cerca de 60 elementos para apoiar as operações de busca e salvamento. Mas, para Carneiro, é preciso “reforçar esses meios para os primeiros dias e as primeiras semanas”.
“Estou a falar de apoios no curto prazo, no imediato, apoios, nomeadamente, no domínio alimentar, apoios no domínio da saúde, apoios no domínio da subsistência e, particularmente, ao nível das crianças, das mulheres e dos idosos”, salienta o líder socialista.
Carneiro insiste ainda que primeiro-ministro convoque a Comissão Nacional de Proteção Civil para que, “sob a sua responsabilidade política ou então em quem ele delegar essa responsabilidade, poder assumir um comando político no âmbito da Comissão Nacional de Proteção Civil, tendo em vista decidir sobre os meios e o emprego desses meios no teatro de operações”.
Questionado se o Governo se deve preparar para o regresso massivo a Portugal de portugueses e lusodescendentes que residem na Venezuela, Carneiro puxa dos galões e lembra a experiência que viveu no Governo do PS, em 2018, enquanto secretário de Estado das Comunidades, após a crise política naquele país em que muitos portugueses e lusodescendentes pediram para voltar.
“A experiência mostrou-me que, em regra, as pessoas evitam deixar o país para trás, porque têm os seus bens, têm as suas vidas, têm o seu património no país”, começa por dizer o líder do PS, para acrescentar que, “mesmo assim, é de admitir que possa haver necessidade de ter um programa preparado para aquelas e aqueles que queiram regressar, nomeadamente, para obterem apoio aqui, que dificilmente poderão obter lá”, sobretudo em áreas como a saúde.
Para o líder socialista, há uma questão de programação financeira que é preciso fazer, em termos de levantamento das necessidades e uma “estrutura de resposta que tem de integrar vários ministérios”, tal como diz ter acontecido em 2018.
“Tem de integrar o Ministério das Finanças, os Negócios Estrangeiros, tem de integrar o Ministério da Administração Interna, tem de integrar o Ministério da Defesa Nacional, nomeadamente por causa do resgate e o uso dos meios das Forças Armadas, nomeadamente aéreos, para efeito de transporte”, diz Carneiro.
No caso de o regresso de portugueses acontecer, é preciso ainda “mobilizar” o Instituto de Emprego e Formação Profissional e o Ministério do Emprego e da Solidariedade Social e ainda o Ministério da Saúde, acrescenta o líder socialista.
“As informações que disponho é que há situações dramáticas que estão a ser vividas, pessoas amputadas dos seus órgãos, que são resgatadas em condições desumanas, absolutamente desumanas, sem o mínimo de condições de apoio, e, portanto, se não há registo de mais pedidos de apoio é porque as pessoas estão com falta de comunicações, está a haver descoordenação”, salienta.
José Luís Carneiro salienta ainda que em 2018 e 2019, na sequência da crise política na Venezuela, foi criada uma rede médica naquele país que identificava necessidades de medicamentos e a indústria de medicamentos nacional, com o apoio do Infarmed e do Ministério da Saúde.
“Faziam angariação de apoios, nomeadamente com medicamentos, que depois eram expedidos, eram enviados para a Venezuela, para os postos consulares de Carreira e honorários, e dos postos consulares seguiam para os diferentes pontos estabelecidos nos diferentes Estados da própria Venezuela”, diz Carneiro, sugerindo que é preciso voltar a esse processo.
O líder socialista aconselha ainda a recorrer ao apoio da Igreja Católica na Venezuela, que em 2018 “foi fundamental” para Portugal conseguir chegar “ao nível das paróquias dos diferentes Estados venezuelanos” e onde era efetuado o “levantamento das necessidades”.
Carneiro lembra também que foi “por via das paróquias, com o apoio da própria Igreja Católica, que conseguimos fazer chegar o apoio a pessoas que viviam em situações de grave carência social, particularmente na saúde”, sugerindo que se recorra a essa experiência para responder à catástrofe humanitária que se vive neste país da América Latina.