Carneiro embalado pelas sondagens, sem pressa de falar sobre OE e a ignorar Bugalho. "Não é para ser levado a sério"

Carneiro embalado pelas sondagens, sem pressa de falar sobre OE e a ignorar Bugalho. "Não é para ser levado a sério"

  • 29/06/2026 18:03
  • Redação

"Quando entrei nem me apercebi que cá estava”. A frase é do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, dirigindo-se a José Luís Carneiro durante a cerimónia que assinalou os 45 anos do Conselho das Comunidades Portuguesas e que serve um pouco como a metáfora da corrida de fundo que o líder do PS está a fazer na convicção de que pode mesmo chegar a primeiro-ministro.

Carneiro participou na cerimónia que decorreu esta segunda-feira no Palácio das Necessidades, em Lisboa, enquanto ex-secretário de Estado das Comunidades, chegando discreto e, aparentemente, apanhando desprevenido Rangel que só no final da sessão o cumprimentou.

Ao longo de todo o dia, Carneiro evitou responder a Bugalho e até encontrou pontos onde considera que os partidos devem encontrar convergências. Ainda na ressaca do que considera ser a vitória da PSU, o líder socialista visitou a TASSE, uma instituição de apoio a crianças e jovens vulneráveis em Alhos Vedros, no concelho da Moita, onde acabou por reconhecer com o autarca local ao lado que o “combate à pobreza e às desigualdades é das políticas que deve exigir, lá está, aqui é que devia haver um acordo entre as principais forças políticas de forma a haver durabilidade nas políticas públicas”.

O clima de não agressão com a AD vai ao ponto de o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, na mesma visita, afastar por completo a possibilidade de levantar suspeitas sobre a vontade de o Governo cumprir o acordo da PSU. “Não vale a pena antecipar, esperemos que seja tudo cumprido e corra tudo bem”, admitiu.

Em declarações aos jornalistas no final de uma viagem de comboio na Linha de Sintra, Carneiro assumiu ter a “expectativa” de que o Governo faça “inversão de marcha” na relação com o Chega.

Ensaiando a tese de que o Governo só quer distrair para não discutir “o que interessa”, Carneiro pergunta: “Já ouviram falar sobre um OVNI chamado Fundo Soberano? Isso foi há oito dias. Ouviram falar mais sobre isso? Talvez não tenham percebido, nem dado conta”.

Num dia que começou cedo e frenético com uma viagem de comboio pela Linha de Sintra até ao Rossio, Carneiro mostrou mais uma vez não ter pressa em posicionar-se sobre o que quer fazer no Orçamento do Estado.

“Falar sobre o Orçamento agora serve aos interesses do Governo. Porquê? Porque impede o Governo de responder às perguntas fundamentais que precisa responder”, disse aos jornalistas no fim da corrida.

Para Carneiro, é cedo para dizer qual será a posição do PS depois da abstenção na proposta de Orçamento do Estado para este ano e até outubro os socialistas admitem que muito pode acontecer e não vale a pena sofrer por antecipação ou projetar muito.

  • Fonte: Rádio Renascença
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