Venezuela. Orlando já perdeu sete familiares e tem uma prima debaixo de escombros que não será resgatada

Venezuela. Orlando já perdeu sete familiares e tem uma prima debaixo de escombros que não será resgatada

  • 30/06/2026 08:23
  • Redação

De La Guaira à Madeira a distância é de mais de cinco mil quilómetros, mas nesta última semana os olhos, ouvidos e o coração de Orlando de Agrela, venezuelano a viver em Portugal há sete anos, estão do outro lado do Atlântico. Depois de já ter perdido sete primos, na segunda-feira, recebeu mais uma má notícia de La Guaira. E teme que não seja a última.

“Os corpos de segurança não vão fazer o resgate da minha prima Odete. As operações ficaram em suspenso e é outra pessoa que provavelmente vai falecer também. Já passaram 72 horas e a decisão deles foi não fazer o resgate”, lamenta.

A razão apresentada pelas autoridades é a de “que a estrutura do edifício está muito fraca” e há “muito risco de que as equipas de resgate, quando entrarem no prédio, possa vir abaixo”.

Orlando aponta críticas ao governo venezuelano, que diz que “não tinha nem as ferramentas, nem estava preparado” para esta catástrofe.

Há sete anos na Madeira, este venezuelano nascido em Caracas, lamenta a perda dos sete familiares, com idades entre os 14 e os 59 anos, e confessa que tem sido muito complicado de gerir as emoções. “É muito difícil. Para mim, não só a impotência, é tristeza, é um desespero”, descreve.

Para os sobreviventes, a vida também não está fácil. “Muitas pessoas da minha família perderam tudo”, lamenta.

Há muitos que perderam a casa. “Há primos que ficaram na rua. Perderam o negócio, as suas empresas. Não têm nada e estão a morar na casa da minha família”, refere.

As descrições e as imagens que lhe chegam da Venezuela, levam este homem de 53 anos a dizer que o país parece “uma zona zero”, “uma zona de guerra”.

A situação é tão desoladora no terreno, que as pessoas começam a temer o futuro. Tanto, que segundo Orlando, muitas já pensam em sair do país. E o destino bem pode ser o Funchal.

“Estão na rua, perderam as suas empresas, as suas casas, e não têm absolutamente nada. Ficaram com a roupa do corpo e nada mais. Há muitas pessoas a dizer que eles querem voltar à Madeira, que existe essa possibilidade de vir para cá, porque perderam tudo”, remata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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