Arcebispo de Caracas pede ajuda para "reconstruir vidas"

Arcebispo de Caracas pede ajuda para "reconstruir vidas"

  • 30/06/2026 05:49
  • Redação

"Devemos dedicar o tempo necessário para organizar estrategicamente a ajuda. A necessidade é imensa. Sem dúvida que, neste momento, o mais importante é salvar e reconstruir vidas", afirma o prelado, em declarações à Fundação AIS Internacional.

Segundo o mais recente balanço oficial, o sismo provocou mais de 1.700 mortos, mais de cinco mil feridos e deixou dezenas de milhares de desaparecidos. Fontes da Igreja, citadas pela Fundação AIS, estimam que cerca de 250 mil pessoas tenham ficado sem casa, enquanto muitas zonas continuam sem eletricidade e com edifícios destruídos ou seriamente danificados.

A diocese de La Guaira, na região costeira próxima de Caracas, foi uma das mais atingidas. O seminário de São Pedro e São Paulo ficou praticamente destruído, mas todos os seminaristas conseguiram escapar.

"Podemos dizer que foi um milagre. Houve alguns feridos ligeiros, mas ninguém morreu. Os seminaristas e os professores conseguiram sair", relata D. Raúl Biord, acrescentando que o edifício ficou inutilizável e que os jovens perderam todos os seus bens.

Os seminaristas foram, entretanto, transferidos para Caracas, onde recebem acompanhamento psicológico para ultrapassar o trauma.

O arcebispo considera que o apoio emocional será uma das maiores missões da Igreja nos próximos meses.

"Um dos pontos mais importantes agora é saber ouvir", afirma, lamentando que muitas famílias tenham sido obrigadas a retirar os corpos dos seus familiares dos escombros sem qualquer ajuda.

Também os sacerdotes que acompanham os feridos nos hospitais testemunham o sofrimento provocado pelo terramoto. Um deles descreve o encontro com uma mulher que, depois de lhe terem amputado as duas pernas, respondeu apenas: "Estou viva."

Outra mãe pediu-lhe que rezasse pelos dois filhos que morreram, enquanto uma jovem lhe confessou ter perdido os pais, os avós e os irmãos. "A realidade é devastadora", resume.

Perante esta tragédia, D. Raúl Biord garante que a Igreja continuará ao lado das populações.

"Perdemos imensas pessoas. Temos de acompanhar aqueles que sobreviveram", afirma, explicando que sacerdotes, religiosas, voluntários da Cáritas e agentes pastorais irão prestar apoio psicológico e espiritual às vítimas.

O arcebispo de Caracas revela ainda ter recebido palavras de proximidade do Santo Padre.

"O Papa escreveu-me algumas palavras muito bonitas. Comoveram-me profundamente", diz, agradecendo igualmente a solidariedade da Fundação AIS e de outras organizações internacionais.

"Precisamos muito do vosso apoio. Ajudem-nos a reconstruir estas vidas e a reconstruir o nosso país, unidos", apela.

Também a Fundação AIS Portugal lançou a campanha "SOS Venezuela", destinada a mobilizar donativos para responder às necessidades mais urgentes.

A diretora do secretariado nacional, Catarina Bettencourt, lembra que "a Venezuela é uma terra profundamente ligada a Portugal, onde vivem cerca de 1,2 milhões de portugueses e luso-descendentes", sublinhando que a campanha pretende apoiar famílias que perderam as suas casas, garantir alimentos, medicamentos e bens essenciais e contribuir para a reparação de igrejas e edifícios pastorais danificados pelo terramoto.

A responsável conclui que muitas das famílias afetadas "têm raízes, familiares e históricas, de vida entre os dois países, Venezuela e Portugal, o que torna esta tragédia ainda mais próxima do nosso coração".

  • Fonte: Rádio Renascença
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