Carneiro pede explicações ao PM sobre “falhas” nos exames e ignora críticas de Centeno e Peralta ao IVA zero
- 30/06/2026 09:58
- Redação
Pelo segundo dia consecutivo, José Luís Carneiro pediu explicações ao Governo sobre “o que está a falhar” nos exames nacionais do secundário e, no encerramento das jornadas parlamentares do PS, na Amadora, o secretário-geral socialista subiu a fasquia. Se na segunda-feira pediu explicações ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, esta terça-feira exigiu respostas ao primeiro-ministro.
“Isto exige uma resposta do primeiro-ministro, tem o dever, um imperativo ético da sua maior responsabilidade explicar o que está a falhar”, disse Carneiro no edifício do Inova Amadora, num concelho problemático para o PS, com o autarca local, Vítor Ferreira, envolvido na Operação “Imergente”, tendo mesmo sido constituído arguido, mas ausente destas jornadas.
Na intervenção de encerramento, Carneiro optou, ainda assim, por dar o benefício da dúvida a Luís Montenegro. “Pode acontecer que tudo tenha justificação. Pode acontecer que tudo esteja devidamente enquadrado. E, se assim for, eu quero afirmar que isso deixa-me tranquilo”, disse o líder socialista, acrescentando que entende “ter o dever” de pedir explicações ao primeiro-ministro.
“Se tudo está como devidamente planeado, se tudo está a ser executado com previsibilidade e com segurança, então, sim, toda a comunidade nacional ficará tranquila e ficará segura com as explicações do primeiro-ministro”, disse Carneiro evitando o choque frontal com Montenegro.
Após as visitas dos deputados do PS a projetos do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), por exemplo, casas em Loures para elementos da PSP que estão deslocados, Carneiro diz que “praticamente não haverá concelhos que não estejam a executar recuperação da habitação ou construção de nova habitação”, acusando o Governo de manter casas fechadas à espera de “um novo ciclo eleitoral”.
“Foi reportado que há hoje casas prontas a habitar que estão prontas há um ano e meio. Há um ano e meio à espera do quê? À espera de um novo ciclo eleitoral em que as casas das pessoas vão servir de cenário eleitoral para o eleitoralismo que o Governo nos habituou?”, questionou Carneiro, acrescentando que “será intolerável”, avisando que irá fazer visitas a esses edifícios “prontos para serem habitados”.
No debate que antecedeu a intervenção de encerramento do líder do PS e que se centrou no aumento do custo de vida e na situação económica do país, o ex-ministro das Finanças Mário Centeno e a economista Susana Peralta criticaram duramente o IVA zero, uma proposta que os socialistas vêm defendendo e que vão reapresentar no Parlamento no dia 2 de julho.
“O PS anda muito encantado com a política do IVA zero, acho que é uma má política”, começou por dizer a professora da Nova SBE, avisando que “é certamente muito mais generoso para as pessoas mais ricas que são quem compra”.
O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno seguiu na mesma linha, dizendo mesmo que acompanha a economista. “Concordo com a Susana em relação à questão do IVA zero”, dando mesmo um exemplo: “Lembro-me até de mandar fotografias para o então ministro das Finanças com um queijo pecorino com trufa que tinha IVA zero e era uma benesse que eu achava verdadeiramente inexplicável”, defendendo que o país “deve ser muito focado nos apoios e eles devem ser temporários”.
Mesmo perante estas críticas, Carneiro agradeceu a opinião dos dois especialistas, admitindo que são ideias que fazem o PS “refletir e raciocinar sobre as nossas opções políticas”, mas mais à frente foi claro ao defender que “fazemos muito bem em avançar de novo com essas propostas para mitigar os efeitos da inflação na vida das pessoas”.
Na quinta-feira, no debate potestativo no Parlamento, o PS irá assim reapresentar, por exemplo, a proposta de IVA zero a título temporário ou a redução do IVA nos combustíveis, eletricidade e gás de 23% para 13%.