Crianças violadas em grande escala. Houve limpeza étnica no Sudão, afirma a Amnistia Internacional
- 30/06/2026 19:03
- Redação
As Forças de Apoio Rápido (RSF) cometeram crimes contra a humanidade e limpeza étnica durante a sua campanha para tomar El Fasher, no estado do Darfur do Norte, no Sudão. A denúncia é feita pela Amnistia Internacional, num novo relatório divulgado esta quarta-feira, onde analisam a atuação daquela força paramilitar sudanesa. As crianças estão entre as principais vítimas.
“As crianças não foram danos colaterais desta violência — muitas vezes, foram deliberadamente visadas e sofreram imensamente. Foram mortas, feridas, violadas, raptadas e recrutadas à força em grande escala”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, citada no documento.
A organização detalha no comunicado enviado às redações que centenas de milhares de crianças foram deslocadas, muitas delas correndo o risco de morte, e arriscando ferimentos durante os ataques ou enquanto fugiam. Inúmeras ficaram órfãs.
A análise das provas recolhidas, defende a Amnistia Internacional, "permite concluir — sem reservas — que existe perseguição com base na identidade étnica". Além disso, a ONG acredita que os atos documentados neste relatório, assim como outras investigações em curso, podem ser relevantes para o crime de genocídio.
“A guerra no Sudão é uma guerra contra os civis. O mundo foi alertado para os horrores que os civis em El Fasher enfrentaram enquanto as RSF sitiavam a cidade. É uma mancha na consciência da humanidade”, defendeu Agnès Callamard.
“É necessário um cessar-fogo a nível nacional de imediato", acrescentou Callamard. "Deve ser destacada para o Sudão uma força internacional independente e dotada de recursos adequados para proteger os civis contra os crimes cometidos por todas as partes envolvidas no conflito."
Ainda segundo Agnès Callamard, sem uma ação urgente da comunidade internacional, "os ataques contra civis — e o imenso sofrimento e trauma infligidos às crianças — continuarão sem impedimentos".
Entre as vítimas, também estão pessoas com deficiência e idosos que enfrentaram riscos graves, como ataques direcionados, abandono e exclusão da assistência essencial, lê-se no relatório “Cidade sitiada, crianças sob fogo: os crimes contra a humanidade das Forças de Apoio Rápido no Darfur do Norte”.
A ONG informa que as RSF cometeram, também, uma série de crimes de guerra em El Fasher e nas zonas circundantes entre meados de 2024 e finais de 2025. Entre os ataques são destacados crimes de homicídio, transferência forçada, encarceramento, tortura, violação, escravatura sexual, outras formas de violência sexual, escravização e extermínio.
A Amnistia afirma que este relatório reuniu provas suficientes para identificar publicamente três dos comandantes das RSF responsáveis por violações graves do direito internacional.
A Amnistia Internacional é uma organização não governamental que procura defender os direitos humanos, por todo o mundo, com mais de 10 milhões de membros.