Médica suspeita por alegado esquema com reformas por invalidez detida pela PJ
- 01/07/2026 05:34
- Redação
A médica que, recentemente, foi acusada de cobrar aos pacientes para passar reformas por invalidez foi, esta terça-feira, detida pela Polícia Judiciária. A profissional de saúde atuava em Benavente e terá, alegadamente, prescrito reformas por invalidez de forma fraudulenta.
A informação está a ser avançada esta quarta-feira pela SIC Notícias, canal que denunciou o esquema, em abril.
O caso revelava um alegado esquema em que a médica cobraria cerca de mil euros para viabilizar processos de reforma por invalidez, tendo conseguido, numa única empresa pública, que dezenas de trabalhadores se reformassem por invalidez.
A Ordem dos Médicos abriu, na altura, um inquérito à médica do distrito de Santarém.
Para a Ordem dos Médicos (OM), os factos revelados na reportagem, que envolvem uma médica de Benavente, que cobraria pagamentos indevidos e não declarados para facilitar processos de reforma por invalidez, "indiciam alegadas práticas gravemente lesivas da ética e da deontologia médica".
"A Ordem dos Médicos condena qualquer atuação que instrumentalize o ato médico para fins alheios ao interesse dos doentes, ao rigor clínico e ao cumprimento da lei", afirmava o bastonário da OM, em comunicado.
Carlos Cortes sublinhou, na altura, que "a utilização do estatuto profissional para obter vantagens indevidas, se confirmada, constitui uma violação ética intolerável e uma quebra gravíssima da confiança que a sociedade deposita na classe médica".
Segundo a OM, o Conselho Disciplinar do Conselho Regional do Sul abriu, de imediato, um processo disciplinar nos termos do Estatuto da Ordem dos Médicos que pretende apurar de forma rigorosa todos factos.
A Investigação SIC teve conhecimento que nos últimos anos, dezenas de trabalhadores da Carris recorreram a esta médica.
Contactada pela SIC, a empresa revela que efetivamente identificou "crescimento continuado e aparentemente anómalo nos processos de reforma por invalidez" e que, por isso, apresentou uma queixa-crime junto do Ministério Público.