Ministro culpa QR Code e admite adiar calendário de correção de exames
- 01/07/2026 06:41
- Redação
Há várias soluções (e culpados) para os problemas com os exames nacionais. Esquecer o digital e avançar com correções em papel ou adiar a data de entrega dos exames avaliados foram ponderados pelo ministro da Educação. Quanto a culpas, depois dos agrafadores, Fernando Alexandre apontou o dedo ao QR Code e promete auditorias para perceber o que correu mal.
No entanto, também garante que a maior parte das denúncias que têm sido feitas por professores avaliadores (que fazem a correção do exame e lhe atribuem uma nota) são falsas.
Fernando Alexandre falava esta quarta-feira no Parlamento, em audição regimental na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência.
“Os problemas são exclusivamente relacionados com questões de software”, disse aos deputados. “Há um problema com o QR Code e numa auditoria será posteriormente feita a análise” dos problemas que têm surgido. Para já, garante, “os problemas estão a ser tecnicamente ultrapassados.”
Na véspera, Fernando Alexandre tinha-se queixado dos agrafadores, sempre desvalorizando as queixas dos avaliadores. "A digitalização está a ocorrer sem grandes problemas. Houve algumas dificuldades que resultam da novidade do processo. Vou-vos dar um exemplo muito prático: as escolas receberam indicações para não agrafarem os exames, mas algumas agrafaram os exames em cima do QR Code, que é o que identifica o exame ou o aluno. O desagrafar, a perturbação que isso trouxe na digitalização, foi um dos erros."
Fazer a correção dos exames nacionais em papel foi uma hipótese levantada pelo Ministério da Educação. Adiar o calendário de correção das provas — atirando a data de entrega dos exames avaliados para depois de 10 de junho — também, explicou o ministro durante a audição.
“Colocámos a hipótese de fazer as correções no papel”, disse Fernando Alexandre. No entanto, a garantia do EduQa de que todo o processo funcionaria tranquilizou-o. “Nunca nenhum aluno será prejudicado”, insistiu o ministro, que nos últimos dias tem repetido este mantra. "Esse é um “princípio sagrado."
De resto, acredita que todos os erros podem ser resolvidos. “Do ponto de vista logístico, distribuição e digitalização, não houve nenhum percalço, há um caso ou outro, mas não são erros que não possam ser corrigidos.”
"Se convocam erradamente, então é uma responsabilidade dos diretores", afirmou o ministro, rejeitando, por outro lado, acusações de desresponsabilização.
Sobre a sua quota parte em todo o processo? “A minha responsabilidade última será avaliada no final deste processo.”
"Pedimos sempre ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e ao Júri Nacional de Exames (JNE) que estejam atentos a todas as comunicações que são feitas, para verificar se são verdadeiras ou falsas. A maioria é falsa", disse, em resposta aos deputados.
Desde o atraso na atribuição das credenciais necessárias para aceder às provas, a erros na convocatória de professores ou falhas na digitalização das folhas de resposta, o cenário tem sido descrito como de "caos generalizado".
Os exames nacionais continuam a realizar-se em papel, mas, pela primeira vez, as provas serão corrigidas em formato digital, trabalho que, no caso da prova de Português (a primeira a ser feita), deveria estar concluído até 6 de julho, para que as classificações fossem enviadas até 10 de julho.
No próximo ano letivo, anunciou o ministro, será implementado um projeto-piloto de normalização das notas, com o objetivo de corrigir diferenças de dificuldade entre anos, tornando comparáveis os resultados e reduzindo o efeito de variações na dificuldade das provas.
Logo no arranque da sua intervenção, Fernando Alexandre defendeu o modelo de classificação digital já que acredita que irá tornar o processo mais eficiente.