"Chama-se verão", diz o Chega sobre onda de calor que o país vai atravessar

"Chama-se verão", diz o Chega sobre onda de calor que o país vai atravessar

  • 01/07/2026 13:35
  • Redação

O debate desta quarta-feira à tarde, no Parlamento, foi marcado pelo Livre e o deputado Jorge Pinto começou o discurso a enunciar as temperaturas de mais de 40 graus previstas para algumas das capitais de distrito.

O parlamentar quis, assim, demonstrar que as alterações climáticas geram ondas de calor mais frequentes e geram fenómenos extremos e devastadores, entre eles, os incêndios florestais.

“Este é um novo normal que nós temos pela frente. Mais fenómenos extremos, mais intensos e mais devastadores. E, os fogos florestais são, como a nossa história recente o mostra, daqueles que mais danos causam e que mais vidas reclamam”, referiu Jorge Pinto.

Na bancada do Chega, o líder parlamentar contestou esta argumentação e garantiu que ter temperaturas elevadas nesta época do ano é normal, porque estamos no Verão.

“Chama-se verão. Até lhe vou dizer mais, na Amareleja, 47 graus é uma coisa perfeitamente normal. Agora, para o Livre, tudo é um fenómeno, tudo é um fenómeno extremo”, disse Pedro Pinto.

Na resposta, Jorge Pinto leu os títulos das notícias que dão conta da maior onda de calor de sempre e dos alertas das autoridades de saúde para o aumento da mortalidade. O deputado do Livre entregou, de oferta de aniversário, estes documentos ao deputado do Chega.

“Porque é dia de aniversário do deputado Pedro Pinto, entrego uma oferta, um retrato, que significa bem aquilo que tem sido a postura do Sr. deputado e do Chega neste debate, de negação das alterações temáticas”, referiu Jorge Pinto.

Também Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, não deixou passar em branco a declaração do líder parlamentar do Chega e a recusa em aceitar os factos científicos, comparando com o naufrágio do Titanic.

“É a mesma coisa que ouvir o comandante do navio Titanic dizer que o problema do iceberg se deveu ao gelo na bebida. É o que acontece quando se negam os factos científicos, tomam decisões erradas e expõem-se à evidência”, referiu o deputado do Bloco de Esquerda, lembrando ainda o elevado número de mortes causados o ano passado pelas ondas de calor.

“As alterações climáticas são uma das principais ameaças à nossa segurança coletiva. E o facto do Sr. deputado o desvalorizar quando nós, no ano passado, verificámos uma sobretaxa de mortalidades mais elevada da Europa, mais de 1.300 cidadãos à custa do calor, demonstra que o Chega nesta matéria faz parte do problema, não da solução”, afirmou.

O Governo reconhece que o país está a ser confrontado com “mais fenómenos meteorológicos extremos, temperaturas elevadas e secas prolongadas” e no primeiro dia de uma onda de calor, Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, pediu “prudência” para evitar ignições.

“As previsões apontam para temperaturas muito elevadas, tanto durante o dia como durante a noite, criando condições particularmente favoráveis à ignição e propagação de incêndios. Por isso, quero dirigir um apelo muito claro à responsabilidade de todos os cidadãos”, disse o secretário de Estado.

“Evitem qualquer utilização do fogo, adiem trabalhos de limpeza junto à floresta, não realizem queimas nem queimadas e evitem atividades que possam provocar ignições. Recordo que estas utilizações do fogo são proibidas nos concelhos com perigo de incêndio rural muito elevado ou máximo, mas, perante as condições previstas, o comportamento mais prudente é evitá-las em todo o território”, alertou Rui Rocha.

“A prontidão vai sendo determinada em função das condições. Nestes dias está em cima da mesa já para amanhã ou para depois, para o fim de semana, que o estado de prontidão especial determinado pela ANEPC vai elevar para o nível 3”, referiu o secretário de Estado da Proteção Civil que representou o ministro da Administração Interna na interpelação do Livre ao Governo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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