Venezuela. Dois aviões da força aérea seguem dentro de dias com ajuda
- 01/07/2026 16:30
- Redação
Dois aviões da Força Aérea Portuguesa estão prontos para partir com ajuda para a Venezuela e deverão descolar até terça-feira, podendo, no regresso, trazer pessoas, declarou hoje o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
"Estamos já a organizar novos voos com a nossa Força Aérea, já temos dois aviões prontos para arrancar. Espero, até sexta-feira, ter já os dois aviões cheios ou perto disso", declarou Emídio Sousa aos jornalistas, na Assembleia da República, à margem da sessão de encerramento do encontro do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CPCCP), que esteve reunido entre segunda-feira e hoje.
"Tínhamos previsto um primeiro voo no dia 07 [de julho], que é terça-feira. Se o pudermos antecipar, se tivermos já carga para carregar o avião, provavelmente antecipá-lo-emos", adiantou o governante, realçando que há muita ajuda das pessoas a chegar, mas que é necessário selecionar o que é mais necessário.
"Estamos a fazer uma seleção do que é verdadeiramente preciso. Há muito boa vontade das pessoas", explicou, adiantando que, para já, não são necessários bens alimentares, bens perecíveis ou água, por exemplo.
O secretário de Estado assegurou que tem estado em permanente contacto com as autoridades venezuelanas e portuguesas, para perceber efetivamente o que faz falta.
"Estamos a verificar as necessidades", assegurou. Segundo as informações que lhe têm chegado, o que é mais necessário são máquinas e ferramentas.
O secretário de Estado reiterou o que o ministro dos Negócios Estrangeiros já tinha afirmado: "Como disse o sr. ministro Paulo Rangel, nós estamos a trabalhar nisso [na ajuda] já desde o início, porque previmos a nossa intervenção em três momentos. O primeiro, salvar e resgatar. O segundo momento, a ajuda humanitária. E o terceiro momento será o da reconstrução do país."
O governante referiu ainda, sobre a distribuição da ajuda, que é crucial garantir que esta chega às pessoas que precisam.
"Numa primeira fase, provavelmente, [será distribuída] através da Cruz Vermelha, que é alargada. Numa outra fase poderemos eventualmente envolver o nosso movimento associativo. Temos um movimento associativo muito sério na Venezuela. Portanto, isto é todo um trabalho que estamos a fazer todos os dias no Ministério dos Negócios Estrangeiros", indicou.
Sobre os voos militares, neste caso os portugueses, Emídio Sousa realçou que haverá sempre a possibilidade de estes, no regresso a Portugal, trazerem pessoas, recordando que 17 já chegaram por essa via.
"Portanto, começa a haver aqui múltiplas hipóteses de as pessoas que o queiram fazer regressarem, usando os aviões que vão começar a operar", indicou.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 71 portugueses e lusodescendentes, e outros 71 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital, Caracas, e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.