Polícia brasileira investiga se filme sobre Jair Bolsonaro recebeu verba pública de deputados

Polícia brasileira investiga se filme sobre Jair Bolsonaro recebeu verba pública de deputados

  • 01/07/2026 18:41
  • Redação

A Polícia Federal do Brasil abriu um inquérito para investigar uma possível irregularidade na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, com recurso a verbas públicas, confirmou o diretor-geral do organismo, Andrei Rodrigues.

Os recursos públicos em causa são as chamadas emendas parlamentares, verbas do Orçamento federal que permitem a deputados e senadores encaminhar recursos para os seus círculos eleitorais para financiar, por exemplo, projetos e obras.

A investigação foi autorizada pelo juiz Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, na última sexta-feira, segundo informou Andrei Rodrigues numa conferência de imprensa.

"A nossa equipa já deu os encaminhamentos necessários (...) para prosseguir nas investigações", afirmou o diretor-geral da Polícia Federal.

A suspeita é que cinco deputados bolsonaristas do Partido Liberal (PL) tenham destinado 4,6 milhões de reais, o equivalente a 777 mil euros, em recursos públicos a entidades ligadas à produção do filme.

A Controladoria-Geral da União, ministério responsável pela fiscalização dos gastos e das atividades do Governo federal, iniciou, no mês passado, uma auditoria sigilosa sobre o possível desvio de finalidade dos recursos públicos.

Dark Horse tornou-se uma pedra no sapato do senador e pré-candidato à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, depois de o portal The Intercept Brasil revelar, em maio, que o então banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme.

Os áudios mostram que Flávio negociou 134 milhões de reais (cerca de 22,65 milhões de euros, à cotação atual) com Vorcaro e que o banqueiro chegou a pagar 64 milhões de reais (10,9 milhões de euros).

Uma das conversas aconteceu em novembro do ano passado, um dia antes de o então banqueiro ser detido pela polícia brasileira por alegada fraude financeira ligada ao Banco Master.

Desde então, a imprensa brasileira tem publicado reportagens sobre atividades suspeitas de empresas e pessoas ligadas à produção do filme, além de apontar contradições nas declarações de Flávio Bolsonaro e de outros políticos sobre o financiamento da cinebiografia.

Uma ONG da empresária Karina Gama, proprietária da Go UP, produtora de Dark Horse, foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, no mês passado, por suspeitas de fraude na execução de um contrato milionário.

As autoridades policiais suspeitam de que a ONG Instituto Conhecer Brasil, que até então atuava na realização de eventos religiosos, não tenha instalado os cinco mil pontos de internet gratuita previstos na cidade de São Paulo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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