QR Codes estão a atrasar correção dos exames nacionais?
- 02/07/2026 03:00
- Redação
Está a correr mal a correção digital dos exames nacionais do ensino secundário. O processo está muito atraso.
O Ministério da Educação diz que o problema está numa falha na leitura dos QR Codes de algumas provas.
É a consequência da desmaterialização na correção dos exames nacionais. Para se perceber como funciona: as provas são digitalizadas e encaminhadas para os professores classificadores através de uma plataforma.
O problema é que não está a correr conforme previsto. Houve atrasos na distribuição das provas, dificuldades no acesso à plataforma e problemas na identificação de alguns exames digitalizados.
O Ministério da Educação diz que a situação está a ser resolvida e que, para já, ainda é possível cumprir a “janela prevista” para as classificações.
O QR Code funciona como uma espécie de identificação da prova. É esse código que permite associar o exame digitalizado ao processo certo, sem expor diretamente a identidade do aluno a quem corrige.
Esta quarta-feira, o ministro da Educação explicava que parte dos problemas surgiu porque algumas escolas terão agrafado provas precisamente sobre o QR Code. E, ao retirar os agrafes, o código pode ter ficado danificado, dificultando ou impedindo a leitura automática.
Rejeitam responsabilidades. Dizem que o problema é, sobretudo, técnico: falhas na plataforma de correção digital, atrasos na disponibilização das provas e demora na atribuição de credenciais aos professores classificadores.
Os sindicatos têm denunciado situações como convocatórias erradas, professores chamados para disciplinas que não lecionam, provas incompletas ou páginas em falta.
O Ministério da Educação já disse que, em vários casos, essas alegações não correspondem à realidade.
Pode impedir. Os leitores digitais precisam de ver a estrutura completa do código para o processar.
Se o agrafe tapar os três quadrados grandes dos cantos, que correspondem aos padrões de posição, o leitor pode não conseguir detetar o código.
No entanto, estes códigos têm uma tecnologia nativa de correção de erros que permite que continuem a funcionar.
Pode não ter sido uma afirmação precipitada. Em teoria, os QR Codes têm mecanismos de correção de erro e podem continuar a ser lidos mesmo quando uma parte está danificada.
Mas isso depende da dimensão do dano, da zona afetada, da qualidade da impressão, da digitalização e do software usado para a leitura.
Portanto, um QR Code parcialmente danificado pode ser recuperável. Mas não é garantido.
O ministro da Educação admite que foram ponderadas várias soluções. Uma delas é a correção em papel.
A data prevista para a entrega das provas corrigidas era 10 de julho, com afixação das notas a 14 de julho, mas o Governo admite mexidas nos prazos, se tal for necessário.
Fernando Alexandre já disse que nenhum aluno será prejudicado. O problema é que o atraso cria incerteza para estudantes e para as famílias, sobretudo porque as notas dos exames contam para a conclusão do secundário e para o acesso ao ensino superior.