Mariana Vieira da Silva. "Acusações de ocultação de estatísticas são falsas e inadmissíveis"
- 02/07/2026 04:08
- Redação
Mariana Vieira da Silva garante que não teve qualquer intromissão na produção de estatísticas pelo Instituto Nacional de Estatística. A ex-ministra da Presidência recusa a acusação de que o Governo PS ocultou o aumento populacional agora revelado pelo INE.
A antecessora de Leitão Amaro recusa a ideia de que um ministro possa ter influenciado a produção de estatísticas pelo INE, numa declaração que estende essa garantia ao seu sucessor, para além dos seus antecessores no cargo.
"Nem o atual ministro da Presidência, nem a antiga ministra da Presidência - que sou eu - nem nenhum dos meus antecessores teve qualquer intromissão técnica na produção de estatísticas. É absolutamente proibido. Tenho a certeza de que não acontece agora, nem aconteceu no passado", insiste Mariana Vieira da Silva, ao reafirmar a "total autonomia técnica e administrativa" do INE para tomar as suas decisões.
"Fui fazer a conferência de imprensa dos últimos Censos, ao lado do Presidente do INE. Os resultados dos Censos eram colocados em acesso público ao meio-dia. Até ao meio-dia eu tinha uma folha dentro de um envelope e não sabia o que lá estava dentro. E só ao meio-dia saiu a folha do envelope para eu fazer uma conferência de imprensa com dados para os quais estava a contactar pela primeira vez", exemplifica a ex-governante.
Mariana Vieira da Silva insiste que presta esta garantia em nome pessoal mas também "pelo atual Ministro e por aqueles que o antecederam, pelo menos no período democrático".
A deputada do PS argumenta que a revisão das estatística da população decorre de um trabalho "de mais de 10 anos" e que passou pelo cruzamento entre os dados da Segurança Social, da Autoridade Tributária, de todas as escolas e centros de saúde.
"Em 2019, toda a estrutura do INE foi reorganizada, porque temos uma mudança de fundo na forma de recolher informação. Foi preciso criar um departamento de análise de dados para tratar de tudo. São coisas impossíveis de fazer há meia dúzia de anos, porque exigem uma dimensão computacional muito significativa", explica Mariana Vieira da Silva, assinalando um reforço de equipamento de recolha de dados que "depois têm que ser todos validados para garantir que estão a ser protegidos".
Com esta explicação, a ex-ministra responde que não era possível fazer esta atualização mais cedo. "Estamos há 10 anos a trabalhar nisto. Não falhámos nenhum prazo europeu num trabalho que tem que ser feito por todos os países".
Questionada sobre a necessidade do INE dar explicações, Mariana Vieira da Silva defende que o Instituto "não comunica como devia comunicar, de forma global", assinalando que a nota metodológica publicada sobre estas estatísticas deve ter tido uma leitura muito minoritária na sociedade.
"O INE devia comunicar melhor, não porque deva explicações a alguém, mas porque os documentos são todos públicos e isso melhora a qualidade do debate público", argumenta a deputada do PS.
O novo porta-voz do PSD anunciou que o partido iria chamar ex-ministros do PS ao Parlamento para saber se o Governo socialista" agiu com conhecimento ou sem conhecimento do aumento populacional agora tornado público". A ex-ministra contra-ataca e acusa o Governo de usar este tema como "cortina de fumo" para desviar atenções dos problemas nos exames nacionais.
"Cada vez que tem um problema, o Governo tenta regressar a esta discussão da imigração, como se não houvesse mais nenhum outro tema que influenciasse a vida do nosso país", acusa Mariana Vieira da Silva, sublinhando que a ministra da Saúde é uma das governantes reincidentes nesta alegada prática política.
Já o social-democrata Duarte Pacheco defende que o caso põe em causa "alguma credibilidade" do INE, em cuja independência e informação estatística confia.
O ex-deputado defende que o Instituto Nacional de Estatística deve prestar mais esclarecimentos aos portugueses sobre algo "claramente inaceitável", bem diferente de uma correção simples de décimas que acontece no cálculo do PIB e do défice, face a uma análise prévia e depois a uma análise mais profunda"
O social-democrata não vê razões para a chamada de governantes do PS ao Parlamento, como foi anunciado pelo porta-voz do PSD.
"Quando o PSD exige a presença de ministros, não vejo qual a novidade, porque já sabíamos que tinha havido um crescimento do número de imigrantes nos últimos anos", contrapõe Duarte Pacheco que acusa o PSD de "repescar uma conversa mantida durante os últimos dois anos sobre um crescimento de portas abertas durante os últimos anos da governação socialista".