Borevkovic e o Portugal-Croácia: "Com a qualidade dos portugueses, esperava um futebol mais bonito e muitos golos"
- 02/07/2026 07:25
- Redação
Nem um ano passou desde a saída de Toni Borevkovic do D. Afonso Henriques. O defesa central croata rumou à Turquia e ao Samsunspor depois de quatro épocas ligado ao Vitória SC e três de Rio Ave ao peito.
De férias perto das praias croatas, escapou ao "muito calor" com uma chamada com Bola Branca.
Numa conversa animada e sincera, Borevkovic fez a antevisão ao jogo entre Portugal e Croácia do Mundial, claro. Um jogo que pode "ser chato" entre duas seleções muito criticadas. Os croatas que "não jogaram nada" nos primeiros dois jogos dos grupos e os portugueses que não apresentaram o "futebol mais bonito" que esperava.
Sinceramente não sei o que pensar. Vocês têm alguns problemas e nós também. Os nossos primeiros dois jogos foram maus, abaixo do que todos esperávamos. Ganhámos ao Gana, mas não jogámos nada e, agora, no último jogo, jogámos bem.
Pode cair para qualquer lado. Nós temos a experiência dos últimos anos, de chegar longe, mas Portugal tem mais qualidade individual.
Não! A nossa vingança foi aquilo que fizemos em 2018 e 2022. Conseguir uma final e um terceiro lugar… ninguém podia imaginar isso.
Falou nos problemas das duas seleções. Começando com a Croácia, muitos críticos referem que já não é a seleção que atingiu esses resultados. Modric não tem o mesmo peso, faltam referências…
Concordo. Saíram alguns jogadores daquele núcleo duro. Ficaram o Kovacic e o Modric. Estão a aparecer alguns jovens, mas de tempo e ganhar experiência neste nível.
Claro que não é a mesma equipa e nós sabemos isso. Toda a Croácia esperava que jogassem melhor futebol mas, como disse o nosso capitão Modric, agora começa um novo torneio.
Portugal também não escapa à crítica. Alguns temem que este geração seja “desperdiçada”. Concorda?
Sinceramente sim. Com a qualidade dos jogadores que Portugal tem, eu esperava que fosse um dos favoritos deste Mundial e apresentasse um futebol mais bonito, com muitos golos, com muitas ações ofensivas, mas todos vimos que isto não é verdade. Não sei o que se passa, não estou por dentro, mas acho que Portugal, com essa equipa, tinha que ser um dos favoritos.
Acho que sim (risos). Acho que as duas equipas vão entrar com receio e vão esperar. Depois vamos ver quem vai cometer menos erros e a equipa que errar menos vai ganhar.
Se tivesse de eleger dois jogadores - um de cada lado - que podem fazer a diferença, quem são?
Na Croácia, o Baturina. Acho que ninguém esperava que ele chegasse ao Mundial tão bem, com tanta qualidade e tantas boas ações ofensivas. Pode decidir jogos. Do lado da vossa seleção, o Bruno Fernandes. Para mim, pode decidir o jogo a qualquer momento.
Não foi como esperava. Quando cheguei, a equipa que esteve dois anos sem poder contratar novos jogadores, então estavam habituados a jogar sempre juntos e jogavam bem.
Jogámos Europa e durante dois meses não perdemos nenhum jogo e, quando és central, só podes entrar na equipa quando alguém falha. Tinha de esperar. Não estava satisfeito nos primeiros dois ou três meses sem jogos. Quando entrei estava um pouco sem ritmo, porque os treinos são muito diferentes dos de Portugal.
Precisava de tempo, mais jogos. Joguei alguns e depois fui outra vez para o banco. O treinador foi despedido, chegou um novo treinador.
Houve altos e baixos, mas quero acreditar que foi uma época de adaptação. O novo futebol é totalmente diferente comparado com Portugal.
Quando diz que os treinos e o futebol são diferentes, o que quer dizer? Quais são as principais diferenças?
Há diferenças em termos táticos, por exemplo. Na Turquia todas as equipas jogam um contra um em todo o campo. Em Portugal, é tudo mais tático, tens de ocupar este espaço, aquele espaço e outro espaço.
Passei seis anos em Portugal, estava habituado a jogar de uma forma e, agora, precisei de tempo para perceber como fazer e adaptar-me.
Sim, mas o problema para nós, os defesas,é que estás sempre a levar com um Leroy Sané ou um Osimhen em todo o campo, por exemplo. Não é fácil. São jogadores extremamente bons no um contra um e, quando estás um contra um contra esses monstros, é muito difícil, muito difícil.
Vamos ver, tenho mais dois anos de contrato, por isso estou a preparar-me para ficar, mas estou aberto também. se houver alguma proposta satisfatória que me agrade… Estou aberto para tudo.
Gostava. Mas vamos ver. Tenho 29 anos, ainda tenho mais cinco ou seis anos de bom nível. Vamos ver o que é que vai acontecer no futuro.
Vamos recuar até à saída do Vitória. No momento da sua saída, o ex-treinador, Luís Pinto, disse que o Vitória queria pessoas que queriam muito estar lá. Sentiu-se atacado, de alguma forma?
Acho que o míster Luís interpretou mal. Claro que, depois de tanto tempo no mesmo clube, tu pensas em outros patamares. Nós todos fizemos muitas coisas boas no Vitória e para o Vitória e, pensas em sair. Eu não tenho nada contra o míster Luís, gosto muito dele. Só posso falar por mim e nunca forcei a saída, só me disseram que chegaram a um acordo com o Samsunspor. Nunca disse que não queria treinar e que queria ir embora.
Quando pensa nos anos que passou a jogar no nosso país, qual é o momento mais feliz que vem ao pensamento?
Quando fui emprestado ao Hajduk Split. Cheguei lesionado e fui dispensado. Nem fiz pré-temporada, disseram-me para ir. Foi muito difícil ficar na Croácia um mês e meio a fazer a reabilitação sozinho, sem clube. Felizmente, no fim, acabou por ser muito bom para mim e para a minha carreira, porque voltei e fiz mais duas épocas em alto nível.
Não como antes, mas acompanhei um pouco. Sabia como estavam o Vitória e Rio Ave.
O Vitória está seguir o seu percurso de mudar a equipa, deixar jogar os jogadores jovens, ganharam a Taça da Liga, que é ótimo. Fiquei muito feliz.
Vamos ver… Saíram alguns jogadores. É difícil porque precisa de dinheiro. O Vitória está em problemas financeiros, por isso vai precisar também investir um bocado, mas não é fácil quando estás sempre a lutar para regularizar aquelas dívidas.